Sexta-feira

SOUFFLÉ DE KIRSCH

É sexta-feira e dia 13, mas não é por azar que hoje não tenho uma receita de chocolate para postar aqui.
Há alguns meses atrás, vi num dos meus livros, um soufflé de kirsch que reservei na memória para fazer quando os dias começassem a arrefecer, só me esqueci de me lembrar ( perceberam?!!) que a minha memória não è de fiar.
Os dias arrefeceram e quando quis fazer a tal receita, como não a tinha marcado, procura-la foi tipo tentar encontrar uma agulha no meio de um palheiro. Procurei e voltei a procurar e cheguei ao cumulo de folhear o livro onde ela estava e não a ver!
Podem acreditar quando vos digo que cá em casa, a minha capacidade para esquecer certas coisas já è lendária!
Cansada de procurar e já sem paciência nenhuma, peguei numa receita de soufflé de laranja da Maria de Lourdes Modesto ( quando se está sob a "asa" protectora desta senhora, è garantido que nada corre mal na cozinha), substituí o licor de laranja pelo licor de cereja et voilá, soufflé de kirsch!
Continuo sem saber se a receita que eu queria realmente experimentar é boa ou não, mas agora também não faz diferença porque sei que esta que aqui está, è!
É claro que como já è habitual passar-se comigo e se calhar com muitos de vocês também, acabei por encontrar o que procurava, precisamente quando já não precisava!
Quanto ao soufflé em si, o que vos posso dizer é que é muito, muito bom. Sente-se a delicadeza aromática da baunilha que em conjunto com o kirsch resulta num sabor que eu achei delicioso.
Eu sei que um soufflé deve ser comido quente e quando ainda está tufado mas como fiz vários, não os comemos todos de uma vez e o que aconteceu è que os 2 que sobraram, depois de frios desenformei-os e sem preconceitos gastronómicos, de soufflés passaram a queques mas com uma textura tão macia e tão fofa que em quatro dentadas desapareceram da superfície da terra ou neste caso da superfície do balcão da minha cozinha!
Bom fim de semana para todos e boas dentadas... ( salvo seja!)

Ingredientes:
40 gr. de manteiga sem sal
40 gr. de farinha
2 dl. de leite
1/2 colher de café de sal
75 gr. de açúcar
1 vagem de baunilha*
20 gr. de fécula de batata
3 colheres de sopa de kirsch ( licor de cereja )
4 gemas
5 claras
Manteiga para untar as formas
Açúcar para polvilhar as formas
*As vagens de baunilha nunca se deitam fora, podem usadas vezes sem conta para aromatizar molhos ou então dentro de um frasco com açúcar para fazer açúcar baunilhado.
Preparação:
A primeira coisa a fazer è untar muito bem as formas com manteiga e polvilhá-las com açúcar.
A seguir leva-se a manteiga a derreter e depois junta-se a farinha, deixa-se cozer sem alourar e retira-se o tacho do lume.
Leva-se o leite ao lume a ferver com a baunilha e o sal.
Mistura-se o leite com a manteiga e farinha, leva-se ao lume novamente e mexe-se até a massa se desprender do fundo do tacho.
Tira-se do fogão, deixa-se arrefecer um pouco e juntam-se as gemas, uma a uma, misturando bem entre cada adição e a seguir junta-se o kirsch.
Por fim e antes de bater as claras em castelo, põe-se um recipiente com água ao lume até ferver, pois os soufflés vão ao forno em banho Maria.
Se usar formas pequenas de soufflé, pré-aqueça o forno a 190º, marca 5 do fogão a gás ( pelo menos 10 minutos antes).
Se usar uma forma grande, pré-aqueça o forno a 200º, marca 6 do fogão a gás.
Enquanto a água ferve, batem-se as claras e quando estão a meio castelo juntam-se o açúcar e a fécula misturados, em chuva e aos poucos sem parar de bater, até as claras ficarem bem firmes.
Agora a parte mais delicada mas não difícil, é só ter um pouco de paciência, coisa que eu nem sempre tenho!
Para o soufflé crescer as claras têm que ser envolvidas na massa com cuidado em movimentos de cima para baixo para não as quebrar.
Feito isto é só verter a massa nas formas que podem ser pequenas (várias) ou então uma grande, pô-las num tabuleiro com a água a ferver ( a água tem que estar a ferver quando se põem as formas ) e levar ao forno na prateleira de baixo por 20 minutos.
Se usar a forma grande o tempo de cozedura è de 40 minutos e passados os primeiros 15 minutos, reduza a temperatura para os 190º, marca 5 do fogão a gás.
Servem-se imediatamente.

Quarta-feira

UM PRATO SIMPLES PARA UM DIA SIMPLES

Raros são os dias simples, tão raros que por vezes, no embalo das rotinas, acabo por quase me esquecer de mim.
Mas quando um desses dias raros aparece por fim, visto de novo a minha pele e vivo como eu gosto de viver, sem pressas e sem exigências.
Entro na cozinha e a fogo lento vou misturando isto e aquilo, procurando velhos sabores com novas sensações, em busca do prato simples e perfeito para o dia simples que eu quero perfeito também.


Ingredientes: ( as quantidades são ao gosto de cada um )
Tagliatelle verde
tomates cereja, vermelhos e amarelos, cortados em pedaços
Pimento verde, cortado em pedaços
alho ralado a gosto
Azeite
Azeitonas pretas sem caroço e cortadas em rodelas
Queijo de cabra cortado em pequenos cubos
Coentros picados grosseiramente
Sal e pimenta preta acabada de moer ( de preferência )

Preparação:
Numa sertã grande, frito um pouco o alho no azeite sem deixar queimar.
Junto imediatamente o pimento e deixo fritar um pouco mexendo sempre.
Juntos os tomates e as azeitonas e mexo, deixando fritar levemente.
Tempero com sal e pimenta preta a gosto e reservo.
Numa panela com bastante água e um pouco de sal, cozo a massa até ficar al dente, ( nem muito mole nem muito dura).
Depois de cozida escorro a massa e misturo-a com o molho de pimentos e tomates na sertã.
Levo novamente ao lume para que os sabores se misturem bem, envolvendo a massa no azeite.
Ponho no prato, junto o queijo de cabra e polvilho com os coentros, salpico com mais um pouco de pimenta preta moída e como tranquilamente.

Segunda-feira

BACALHAU ESPIRITUAL



Há quem diga que os prazeres da boa mesa são coisas do mundo e nada têm a ver com o espírito mas eu não acho que seja assim.
Se comer tem como principal função alimentar o corpo, já a alegria que isso nos dá é um dos melhores alimentos para a alma e para o espírito!
Este bacalhau espiritual foi inspirado na versão original do livro de Pantagruel, no entanto eu adaptei-a ao meu gosto pessoal.
Alterei um pouco as quantidades e troquei as natas por um molho branco feito com azeite em vez de manteiga, ao qual juntei umas gemas para o tornar mais rico. Juntei também ao refogado 2 alhos ralados. O alho ralado dá mais sabor à comida do que o alho picado e ultimamente è só assim que o uso nos refogados ou molhos.
Antes de por o bacalhau no forno reguei-o ainda com um pouco mais de azeite, para dar mais cor ao molho branco a ajudar a criar uma leve crosta estaladiça.
O resultado foi um prato de bacalhau cremoso, com a superfície levemente estaladiça e com um sabor delicioso!


Ingredientes:
800 gr. de bacalhau cozido (guarde a água da cozedura)
300 gr. de pão seco
1/2 lt. de leite
600 gr. de cenouras raladas
4 dl. de azeite
2 dentes de alho ralados
300 gr. de cebola muito bem picada
Sal e pimenta preta a gosto





Para o molho branco:
4 colheres de sopa de azeite
2 dl. de leite
2 dl. de água de cozer o bacalhau
50 gr. de farinha
2 gemas
Sal e noz moscada a gosto

Preparação:
Leva-se o leite ao lume até quase ferver.
Parte-se o pão em pedaços, e rega-se com o leite quente.
Limpa-se o bacalhau de espinhas e desfia-se muito bem, para isso põe-se o bacalhau dentro de um pano, juntam-se as pontas do pano de modo a tapar o bacalhau e esfrega-se o pano até o bacalhau ficar em fios.
Pré-aqueça o forno a 200 º, marca 6 do fogão a gás.
Refogam-se as cebolas, os alhos e as cenouras no azeite, até a cebola ficar transparente e depois junta-se o bacalhau.
Mexe-se e junta-se aos poucos o pão demolhado e desfeito.
Tempera-se com sal e pimenta preta e mexe-se muito bem.
Para o molho branco, leva-se ao lume o azeite, junta-se a farinha e mexe-se até a farinha absorver o azeite totalmente, a seguir rega-se aos poucos com o leite e a água da cozedura, mexendo para não ganhar grumos, eu faço isso com a vara de arames.
Tempera-se com sal e noz moscada e deixa-se arrefecer um pouco.
Junta-se as gemas e mexe-se muito bem até ficar tudo bem ligado.
Unta-se uma travessa com manteiga, põe-se o preparado de bacalhau dentro e cobre-se com o molho branco, rega-se com um pouco de azeite e vai ao forno até dourar.






Sexta-feira

MINI-BOLO DE CHOCOLATE COM CREME DE GROSELHAS VERMELHAS


Com uns quantos centros comerciais, hipermercados e até o "El corte inglés", Gaia è hoje um paraíso para todos os maníaco-consumidores que andam por cá.
Curiosamente ( ou talvez não!) hoje em dia, eu só visito a baixa do Porto para ir ou à Casa chinesa para comprar aqueles ingredientes que não encontro em Gaia ou à casa Januário onde comprei aqui há tempos dois aros de metal para montar mini-bolos.


Eu já tinha planeado fazer este bolo mas para um fim diferente que em breve irei postar aqui. Seja como for, esta massa de bolo de chocolate além de óptima é também diferente de todas as que já publiquei. É muito simples mas não é preciso ser complicada para ser boa. Com esta massa podem fazer um bolo normal ou então estes mini-bolos que para mim foram divertidíssimos de fazer.
Se fizerem a receita tal como está aqui, devem usar uma forma pequena ou se preferirem, duplicam a receita e se sobrar massa, depois de cortados os mini-bolos, ninguém se vai importar com certeza!
Outra questão também importante...Estes bolos têm que ir ao frio para o creme endurecer um pouco, logo, a massa de bolo endurece também, para contornar isso, só têm que deixar os bolos à temperatura ambiente durante algum tempo antes de os servir, para amolecerem um pouco e depois servi-los com natas bem frescas.
O sabor forte e delicioso da massa fofa de chocolate misturado com a doçura e leveza das natas e a acidez fresca das groselhas, è a combinação e companhia perfeitas para dar entrada num fim de semana que se quer bem passado e prazeiroso.
Bom fim de semana!



Ingredientes: Para o bolo
220 gr. de farinha
150 gr. de açúcar
130 gr. de manteiga sem sal amolecida
30 gr. de cacau em pó
1 colher de chá de fermento em pó
2 ovos
1 gema de ovo
2 claras de ovo
2 colheres de sopa de leite


Montagem com o aro



Para o creme de groselhas:
Groselhas vermelhas,1 colher de sopa rasa
100 ml. de natas
açucar a gosto
1 folha de gelatina

Preparação:
Este bolo fica pequeno mas se quiserem podem sempre duplicar a receita.
Ligo o forno a 180º, marca 4 do fogão a gás, para quem o tiver.
Começo por bater a manteiga com o açúcar até ficar bem ligado.
Numa taça junto todos os ingredientes secos que entretanto passei por uma peneira.
Junto a seguir os ovos, a gema e o leite alternados com os ingredientes secos e batendo entre cada adição.
Por fim junto as claras batidas em castelo.
Esta massa de bolo è um pouco dura por isso primeiro misturo rapidamente uma colher grande de claras só para tornar a massa mais fluída e a seguir junto o resto com um pouco mais de cuidado.
Unto uma forma pequena, quadrada ou rectangular com manteiga e polvilho-a com pão ralado.
Ponho a massa na forma e levo ao forno a cozer entre 20 a 30 m. dependendo do forno.
Espeto um palito, se sair seco está pronto.
Tiro do forno e deixo arrefecer.

Decoração:
Para fazer estes mini-bolos è necessario um aro de metal que se vende nas lojas de artigos de cozinha ou pastelaria. Existem em vários tamanhos è só escolher o que mais agrada.
Com o aro corto cilindros de massa de chocolate e a seguir divido-os em 2 metades.
Ponho a folha de gelatina a demolhar em água fria e a seguir espremo-a e derreto-a em lume brando com uma colher de chá de água.
Bato as natas com açúcar a gosto.
De seguida misturo a gelatina nas natas batendo rápido para que a mesma se espalhe bem e não fique em grumos com a diferença de temperatura.
Esmago umas quantas groselhas mas não muitas pois são muito ácidas, aí cerca de 1 colher de sopa rasa para cada bolo e junto-as ás natas misturando bem.

Montagem:
Corto cilindros de massa de bolo com a ajuda do aro e a seguir corto cada um desses cilindros em 2 rodelas de massa.
Ponho uma rodela de massa de chocolate dentro do aro de metal, a seguir cubro com o creme de natas e groselhas mas não até ao topo do aro, cubro com outra rodela de bolo e pressiono para que o creme e o bolo fiquem bem unidos e levo ao frigorífico para solidificar.
Tiro do frio e rodo o aro para se soltar do pequeno bolo, com cuidado puxo-o para cima e tiro-o.
Depois de algum tempo no frio, o bolo fica um pouco duro, como é natural, por isso eu prefiro deixá-lo á temperatura ambiente e deixá-lo amolecer um pouco depois sirvo-o com natas frescas e groselhas.
































































































Quinta-feira

LENTILHAS AROMÁTICAS E PORCO COM PAPRIKA



Os livros - não só os de cozinha - têm sido ao longo da minha vida uma companhia constante e reconfortante.
Lembro-me de entrar no escritório do meu pai, que era uma salinha pequena e ficar com a sensação de ter ali, em cada livro que existia naquelas prateleiras, uma pequena porta que depois de aberta, dava passagem para mundos e realidades diferentes de tudo o que eu conhecia ou podia até imaginar! Era como entrar num universo mágico onde tudo podia ser aprendido e dado a conhecer.
Essa pequena sala, apesar de já não ser um escritório, ainda hoje tem uma das paredes cobertas de livros, do chão ao tecto e ao lá entrar, ainda sinto uma certa aura de magia e fascínio.
O despertar para a cozinha aconteceu também através desses livros da "salinha pequena". Livros que além de sentimentos, têm sabores impressos nas suas páginas, como o empadão recheado de carne de coelho e pedaços de queijo apimentado que La Venera fez para Turi, no livro "O siciliano" de Mario Puzo, ou então o cabrito assado com molho de figos e pimentos acompanhado de rabanetes salteados em azeite e ervas da região servido no banquete que César Bórgia ofereceu aos seus homens no livro "A família" do mesmo autor, que é um dos meus preferidos. Estes livros, como tantos outros que além de contarem histórias, falam também de comida são por vezes ainda mais inspiradores que muitos livros de cozinha.
Um dos últimos livros que li chama-se "Sobre um monte de lentilhas" de Rodolfo Alpízar e apesar de ser um romance e não um livro de receitas de lentilhas, acabou por me "empurrar" para a cozinha.
Já na cozinha, acabei por tomar como ponto de partida umas lentilhas com salsichas do Jamie Oliver do livro "Jamie´s Italy" mas com lombo assado em vez das salsichas. Cobri a carne com uma marinada com forte sabor mediterrânico de pimentos vermelhos e alhos com um toquezinho de gengibre que a deixou saborosa e tenra. Para as lentilhas segui mais ou menos a receita do Jamie Oliver mas acrescentei os cravinhos que lhes deram um sabor mais acentuado e delicioso.
Aqui fica a receita.

Ingredientes: para 1 kg. de lombo de porco
3 colheres de sopa de paprika
3 dentes de alho ralados
1 colher de chá de gengibre em pó
Azeite suficiente para fazer um molho espesso
Sal e pimenta preta * a gosto
1/2 copo de vinho branco

Para as lentilhas:
200 gr de lentilhas verdes
3 tomates bem maduros, cortados em pedaços e sem sementes
2 pimentos verdes, amarelos ou vermelhos, assados e cortados em pedaços
1 folha de louro
2 cravinhos
1 cebola média picada
2 dentes de alho ralados
Azeite q.b.
Sal e pimenta preta* a gosto
Salsa picada

*De preferência acabada de moer


Preparação:
Misturo todos os ingredientes ( menos o vinho ) para a marinada e espalho sobre a carne de modo a que fique totalmente coberta pelo vermelho da paprika.
Deixo a marinar por algumas horas.
Pré-aqueço o forno a 200, marca 6 do fogão a gás.
Ponho a carne numa assadeira e rego-a com o vinho branco.
Levo ao forno a assar por 1 hora e 45 m., virando a meio da assadura.
Quanto às lentilhas, faço um refogado com a cebola, o alho e o louro e quando alourar, junto as lentilhas, o tomate, os pimentos, os cravinhos, o sal e a pimenta e deixo cozinhar lentamente até as lentilhas ficarem tenras. Se for necessário junto um pouco de água mas não muita e deixo apurar.
Depois do lombo estar assado, corto-o em fatias e sirvo-o com as lentilhas polvilhadas com salsa picada.

Para assar os pimentos no forno, basta cortá-los em metades, tirar as sementes e pô-los em cima de um tabuleiro forrado com papel de alumínio, com o interior virado para baixo.
Levo ao forno pré-aquecido a 200º, marca 6 do fogão a gás e deixo assar até a pele dourar ligeiramente.
Deixo arrefecer e tiro a pele sem passar os pimentos por água para não perderem o sabor.

Sexta-feira

PANQUECAS DE PEPITAS DE CHOCOLATE




Hoje é o aniversário da minha cunhada, que me pediu para lhe fazer um bolo para levar para o trabalho. Eu até tinha tudo planeado, mas por vezes, imprevistos de última hora obrigam-nos a tomar medidas drásticas.
Ora, o plano consistia em fazer ontem o bolo, ao fim da tarde, pô-lo no frigorífico e hoje de manhã cedo era só entregar á aniversariante, mas na realidade não foi bem assim que tudo se passou.
Devido a uma falha eléctrica, acabei por meter o bolo no forno só às 10 da noite o que significou ter que o decorar na manhã seguinte, já que não me apetecia mesmo nada, estar ainda à espera que arrefecesse e só depois bater as natas, cortar as frutas, cobrir o bolo com as mesmas e escrever "Parabéns Sónia" com creme de chocolate!
È claro que para não me deitar de madrugada, acabei por ter que me levantar de madrugada!
Resumindo, levantei-me MUITO cedo, acabei o bolo, meti-o no frigorífico e com a família a dormir, tive ainda tempo para sujar mais umas peças de louça e fazer umas belas panquecas de pepitas de chocolate.
Estas panquecas são qualquer coisa! Estas não são, mera comida de pequeno-almoço não senhor!Para dizer a verdade, estou agora mesmo ( ás 16:38 da tarde ) a olhar para 2 delas semi-devoradas, aqui mesmo em cima da secretária. E ando eu a dizer aos meus filhos que não podem comer em cima do teclado! Mas também, com panquecas assim doces, fofas e com pequenos pedaços de chocolate derretido, dificilmente sobra uma migalha que seja para contar a história.
Eu gosto de comer estas pequenas maravilhas com xarope dourado mas este molho aqui também não lhes fica mal!
* O xarope dourado é feito do extracto do açúcar obtido no processo de refinamento da cana de açúcar.
Os extractos são misturados, parcialmente invertidos e evaporados, para obter o xarope viscoso.
( Do livro " Ingredientes " de Loukie werle e Jill Cox )
Bom fim de semana!


Ingredientes: ( 6 panquecas grandes ou 10 médias)
200 gr. de farinha
20 gr. de açúcar
2 colheres de chá de fermento em pó
Uma pitada de sal fino
200 ml de leite
2 gemas
2 claras batidas em castelo
50 gr. de manteiga derretida
60 gr. de pepitas de chocolate amargo ou a mesma quantidade de chocolate em barra partido em pedaços pequenos
Xarope dourado para servir (opcional)

Preparação:
Numa taça, misturo todos os ingredientes menos o chocolate e as claras e bato bem até ficar com uma massa macia e aveludada.
A seguir junto as claras batidas em castelo, com cuidado, mexendo devagar.
Por fim é só juntar os pedacinhos de chocolate e envolve-los muito bem na massa.
Ponho uma sertã anti-aderente ao lume de deixo aquecer bem. Quem gostar, pode usar um pouco de manteiga para fritar as panquecas mas eu prefiro fritá-las a "seco".
A seguir ponho uma concha de sopa de massa na sertã.
Assim que começam a aparecer bolhinhas á superfície, é só virar a panqueca e fritar do outro lado por alguns segundos.
Eu gosto de comer estas panquecas com xarope dourado mas são também muito boas com natas simples ou ainda com um delicioso molho de chocolate para aqueles super gulosos!

Quarta-feira

POLVO COM MOLHO DE ERVAS E CHILIS


Já lá vão 2 ou 3 anos desde que comecei a ir à lota de Matosinhos comprar o peixe cá para casa. É mais barato, é mais fresco e por vezes è uma aventura!
Em dias de muito movimento, o ambiente é frenético e logo à entrada sou saudada pelas peixeiras com um estridente, " Ò querida" ou então "Ò jeitosinha", para ver se me dão a volta para lhes comprar o peixe. Por vezes rio-me, outras vezes faço de conta que não é comigo, tudo depende da disposição do momento mas seja como for, sigo sempre em frente e corro a lota de fio a pavio à procura do melhor peixe ao melhor preço.
Pelo caminho o assédio é constante e eu que vou formosa e não cedo ( à pressão), repito vezes sem conta "Obrigada, não obrigada", até que, alguns encontrões mais tarde e já com os ouvidos a latejar de tanta gritaria, quando dou por ela, lá estou eu na mesma banca de sempre a comprar, verdinhos ( quando os há!), carapaus grandes e pequenos, que de tão frescos e brilhantes parecem de prata, sardinhas grandes para assar ( no tempo delas) e pequenas para fritar ( quando dão o ar da sua graça!) e como não podia deixar de ser, polvo!
Feitas as compras, saio da lota atordoada mas feliz! Como quem sai vitorioso de um campo de batalha!
Resisti aos atropelos, ao assédio e aos pregões das peixeiras, mas no fim, carrego comigo vários sacos com os troféus de guerra... Fresquinhos e a cheirarem a mar!
Quando cozinho peixe ou neste caso polvo, aquilo que mais gosto de usar são as ervas frescas que por sorte tenho sempre à mão na horta.
Os chilis - bem picantes, doces e carnudos - são também, nos últimos tempos, inseparáveis do polvo, onde está um está o outro. Nesta receita combinei os dois porque pessoalmente gosto muito , mas os chilis são apenas para quem realmente quiser.


Ingredientes: (para 500 gr. de polvo cozido)
1 cebola média picada
2 dentes de alho picados
3 colheres de sopa de azeite
1 colher de chá bem cheia de alecrim picado
1 colher de chá bem cheia de funcho picado
Salsa picada para decorar
1 lata de tomate em pedaços
1 chili verde cortado em rodelas
1 chili vermelho cortado em rodelas
Sal e pimenta preta - de preferência acabada de moer

Preparação:
Levo o azeite ao lume num tacho e quando está quente junto-lhe a cebola e o alho picados e deixo refogar até alourar.
Junto as ervas e deixo refogar um pouco, logo a seguir junto os pedaços de polvo cozido e a lata de tomate e mexo tudo muito bem.
Tempero com sal e pimenta preta a gosto, mexo novamente e deixo cozinhar um pouco ( + ou -15 minutos) com o tacho tapado e em lume brando.
Destapo o tacho e se o molho estiver muito aguado deixo cozinhar um pouco em lume forte até reduzir um pouco e vou mexendo para não queimar.
Quando o molho está no ponto, rectifico os temperos, tiro do lume e ponho o polvo numa terrina ou numa travessa, polvilho com a salsa picada e os chilis e sirvo com arroz basmati.