Segunda-feira

Costeletas de borrego com molho de vinho aromático e puré de castanhas




Esta receita foi inspirada no gluhwein, vinho quente e aromático típico de alguns países do norte da Europa que tradicionalmente è servido no Natal.
A verdade è que eu estava à espera de uma oportunidade para fazer puré de castanhas, afinal de contas estamos na época delas! Assim decidi fazê-lo para acompanhar costeletas de borrego, umas miniaturas um pouco caras mas muito saborosas. Como gosto muito de castanhas assadas com vinho tinto, decidi fazer um molho de vinho, aromático e encorpado para servir com a carne e o puré.
Esta è mais uma receita para os dias de festa que estão prestes a chegar!





Ingredientes: 2 pessoas
4 costeletas de borrego
1 colher de sopa de azeite
400 ml. de vinho tinto de boa qualidade
100 ml. de vinho do Porto
1 pau de canela
3 cravinhos
1/2 cebola
2 dentes de alho
1/2 talo de aipo
1 folha de louro
Grãos de pimenta preta
2 colheres de café de mel
2 colheres de chá de manteiga
2 colheres de chá rasas de farinha
Sal e pimenta preta a gosto

Para o puré de castanhas:
Castanhas
Leite
Manteiga
Sal e noz moscada





Preparação:
Tempere as costeletas com sal e pimenta e reserve.
Num tacho ponha os vinhos, as especiarias, o aipo, os alhos, a cebola, o louro e o mel.
Leve ao lume e deixe ferver 10 minutos, tire do lume e deixe assim para que o vinho continue a absorver os sabores dos restantes ingredientes.
Leve o azeite ao lume e quando estiver quente frite as costeletas de um lado e de outro até ficarem douradas. Tire a carne da sertã, cubra e reserve.
Guarde o azeite de fritar as costeletas.
Ponha a manteiga na sertã com o azeite e deixe derreter, junte a farinha e mexa bem até a farinha absorver a manteiga.
Coe o vinho e regue com ele a sertã , mexa bem com uma vara de arames, rapando o fundo da sertã, para aproveitar ao máximo o sabor da carne e para evitar grumos.
Deixe ferver até reduzir um pouco, quando estiver no ponto desejado ( depende do gosto de cada um) rectifique os temperos e regue a carne com este molho.





Para fazer o puré de castanhas, frite as castanhas previamente golpeadas, num pouco de óleo bem quente ( cerca de 3 minutos).
Esta fritura è apenas para torná-las mais fáceis de descascar.
Deixe arrefecer e descasque-as.
Leve-as ao lume a cozer, num tacho com leite suficiente para as cobrir e com um pouco de sal.
Depois de estarem bem tenras, coe o leite e passe as castanhas no passe-vite.
Leve o puré ao lume e junte-lhe leite e um pouco de manteiga, è exactamente o mesmo que o puré de batata.
Rectifique os temperos e sirva polvilhado com noz moscada.

Sexta-feira

Tartelletes de chocolate, amêndoa e castanha com as cores do Outono




Ah! O Outono! As folhinhas a cair, o friozinho lá fora...O calor da salamandra...Pois è...Ou melhor, era!
Lembram-se da minha indisposição para com os dias de chuva e frio? Ela ainda dura e perdura...
Ainda por cima estou constipada, o que só piora as coisas. A minha esperança è que com a proximidade do Natal, o gosto pelo calorzinho da salamandra e pelos nostálgicos dias de chuva volte em força, senão ainda vou passar o Natal ao Brasil, onde nessa altura vai estar calor com certeza!
Bem, mas nesta altura do ano há mais, muito mais para além dos dias frios e de chuva. Há a canja de galinha caseira que agora sabe melhor do que nunca. Há a ( grande )vontade de comer um bom cozido à portuguesa ou até quem sabe umas papas ou arroz de sarrabulho fumegantes e a cheirarem a cominhos...E há também castanhas!
As castanhas e os dióspiros são aquilo que eu mais anseio no Outono. Adoro castanhas fritas ou assadas e gosto muito de rojões com castanhas mas hoje a história è outra, hoje temos tartelletes de chocolate, amêndoa* e castanha, três sabores que quanto a mim, ligam muito bem. Com esta receita dou início aos ensaios para as festividades que se aproximam a olhos vistos.
Estas tartelletes são facílimas de fazer, a massa de chocolate e amêndoa è doce, leve e fofa, logo são ideais para servir em festas, pois não correm o risco de ferir paladares mais sensíveis e as castanhas a espreitarem douradas e lustrosas no meio das pequenas tartes dão-lhes um ar de graça e até um certo brilho, o que tem tudo a ver com a maior festa do ano!

Bom fim de semana para todos!


*A amêndoa quando moída com a casca dá muito mais sabor aos doces. É claro que se não a arranjarem podem usar a amêndoa moída descascada que se encontra mais facilmente.





Ingredientes: dá para 8 tartelletes
100 gr. de amêndoa moída com a casca
150 gr. de farinha
200 gr. de açúcar
200 ml. de natas
3 ovos
30 gr. de cacau em pó
16 castanhas fritas
Açúcar em pó para polvilhar
Natas açucaradas para servir (opcional)






Preparação:
Faça um corte nas castanhas e frite-as em óleo, em lume médio até ficarem ligeiramente douradas.
Ponha-as em cima de papel absorvente, deixe arrefecer e descasque-as.
Unte com manteiga e polvilhe com farinha 8 formas de tartellete.
Pré-aqueça o forno a 180º, marca 4 do fogão a gás.
Numa taça junte todos os ingredientes secos , a farinha e o cacau devem ser peneirados.
Noutra taça, bata as natas e os ovos só para misturar.
Junte os ingredientes líquidos aos secos e mexa até a massa ficar bem ligada.
Ponha 2 castanhas no meio de cada forma de tartellete e com uma colher de chá ou de sopa, conforme lhe der mais jeito, vá pondo colheradas de massa à volta das castanhas de forma a não as cobrir .
Leve ao forno a cozer, entre 20 a 30 minutos dependendo do forno.
Estão prontas quando ao espetar um palito este sai seco.
Tire do forno, deixe arrefecer, desenforme e polvilhe com açucar em pó ou então sirva com natas açucaradas.

Quarta-feira

Um limoeiro e uma tarte de limão






Quando me mudei para esta casa, o terreno que faz parte dela, não tinha nada plantado, nem árvores, nem arbustos. Flores tinha algumas, nos canteiros da frente e de trás que eu mantive por algum tempo, até fazer obras de remodelação que me obrigaram a tirar as roseiras de santa teresinha - que eu adoro - dos canteiros nas traseiras da casa.
O terreno era apenas um monte de ervas daninhas que ainda hoje, mal eu viro costas, crescem descaradamente, em cada pedacinho de terra vago.
Passados quase 4 anos muita coisa mudou na paisagem desta casa. Hoje no jardim da frente temos uma oliveira e um carvalho que veio da nossa casa do Gerês, misturados com cedros rasteiros, uma roseira que já cá estava e que cheira divinamente, umas flores pequeninas que crescem nos muros das casas antigas e que eu trouxe com raiz de lá de cima e também um azevinho oferecido pelo meu pai.
Já na parte de trás temos cedros que já estão enormes e que ainda este passado fim de semana foram podados, temos uma glicínia, um jasmim, várias roseiras, alecrim normal e alecrim rasteiro e na horta temos o menino dos meus olhos, um limoeiro que este ano nos vai presentear com o primeiro limão da sua ainda curta vida.
Há uma tradição nas casas do nosso país assim como nas de Itália ou Espanha que é a tradição de ter um limoeiro na horta. A casa da minha avó tem um, a casa da minha sogra tem dois e podia continuar a dar-vos exemplos de pessoas que conheço que fazem questão de ter uma destas árvores por perto. Eu claro como gosto de manter as tradições que nos ligam à boa mesa, não podia deixar de plantar um limoeiro na minha horta e assim agradeço ao meu pai, meu grande companheiro nestas coisas das árvores, ervas e plantas o facto de me ter oferecido este que agora está prestes a dar à luz o seu primeiro fruto, o que me deixa bastante entusiasmada!
Apesar de limões nunca me terem faltado, aliás, não me lembro sequer de alguma vez ter precisado de os comprar! Só nos últimos tempos è que os tenho usado mais em doces e sobremesas, como esta tarte de limão que além de ter uma apresentação bonita e cheia de brilho, è aromática, cremosa e uma delícia de limão do princípio ao fim.






Ingredientes: Massa areada
300 gr. de farinha
140 gr. de manteiga sem sal bem fria
140 gr. de açúcar amarelo
3 gemas
1 colher de sopa de água fria

Creme:
3 ovos
90 gr. de açúcar amarelo
45 gr. de manteiga sem sal
Sumo de 1 limão grande ou de 2 pequenos

Guarnição:
1 limão
2 dl. de água
100 gr. de açúcar




Preparação:
Numa taça ponho a farinha peneirada, as gemas, o açúcar, a água e a manteiga cortada em cubos.
Com a ponta dos dedos trabalho a massa até esta ficar tipo em areia (migalhas finas).
Formo rapidamente um disco com a massa, envolvo-a em película e levo ao frio por 20 a 30 minutos.
Aqui pode ver como fazer massa areada manualmente e no processador.
Tiro a massa do frio e estendo-a numa superfície enfarinhada, enrolo-a no rolo da massa.
Ponho o rolo em cima da tarteira (previamente untada com manteiga) e desenrolo a massa ajustando-a à tarteira e mantendo-a o mais lisa possível.
Pré-aqueço o forno a 180º, marca 4 do fogão a gás.
Pico a base da massa com um garfo ( para não tufar ) e levo ao forno a cozer por 10 minutos.
Faço o creme misturando bem a manteiga ( derretida em banho Maria ), o açúcar, os ovos e o sumo do limão.
Passados os 10 minutos, tiro a tarte do forno cubro a massa com o creme e levo novamente ao forno por mais 15 minutos.
Entretanto vou preparando o xarope de limão para guarnecer.
Num tacho levo ao lume o açúcar com a água até obter uma calda fraca ( assim que açúcar dissolver ), ponho dentro as rodelas de limão cortadas ao meio ( também podem ser usadas inteiras ).
Deixo ferver até as rodelas de limão ficarem transparentes.
Tiro a tarte do forno, deixo arrefecer 5 a 10 minutos, decoro com as rodelas de limão.
Levo o xarope de limão ao lume novamente para ficar um pouco mais consistente mas sem deixar ficar em caramelo.
Tiro do lume, deixo arrefecer um pouco e rego a tarte com o xarope de limão.












Segunda-feira

O meu tipo de pizza!





O meu tipo de pizza!
Uma base fina e levemente crocante e um recheio de courgettes verdes e pleurotus carnudos e saborosos, perfumada com oregãos secos e regada com bom azeite. Por cima de tudo isto, muito mozarella ralado. Vai a pizza ao forno e volta de lá dourada, estaladiça e com o queijo a borbulhar. Deixo arrefecer, olho para o relógio e já são 2 da tarde, não admira que a fome aperte. Espero mais um pouco e finalmente começo a comer, aproveitando cada minuto e cada delicioso pedaço de uma pizza feita à minha medida...






Massa de pizza: Dá para 2 pizzas de base grossa ou 3 de base fina.
500 gr. de farinha
250 a 300 ml. de água tépida
1 sachet de fermento desidratado
1/2 colher de chá de sal fino
1/2 colher de chá de açúcar


Recheio:
Molho de tomate, a minha receita preferida está aqui
1 courgette pequena cortada em rodelas fininhas
Cogumelos pleurotus a gosto
Oregãos secos
Queijo mozzarella ralado a gosto
Sal fino a gosto
Pimenta preta moída a gosto
Azeite





Preparação:
Numa taça mistura-se a farinha ( de preferência peneirada) com o fermento, o sal e o açúcar.
Junta-se a água aos poucos, enquanto se vai mexendo a massa com um garfo.
Talvez não precise de usar os 300 ml. de água, assim que a massa estiver ligada, não junte mais água.
Amasse muito bem, puxando a massa para a frente e novamente para trás, consecutivamente até a mesma ficar elástica.
De seguida estenda-a, tentando dar-lhe uma forma arredondada e forre com ela uma forma de pizza.
Eu não gosto da base de pizza muito grossa, por isso quando cozinho só para mim, estico a massa o mais possível, eu prefiro pouco pão mas muito recheio!
Pré-aqueça o forno a 200º, marca 6 do fogão a gás.
Espalhe um pouco de molho de tomate por cima da massa.
Cubra com as rodelas de courgette e por cima ponha os pleurotus cortados em pedaços.
Tempere com sal e pimenta a gosto.
Polvilhe com oregãos secos ( o cheiro é uma delícia!) e a seguir com o queijo ralado, regue com um pouco de azeite e leve ao forno até dourar.
Este foi o meu almoço de hoje, acompanhado de um copo de bom vinho tinto.

Sexta-feira

Crepes de chocolate com bananas douradas




A ideia para estes crepes surgiu de uma conversa sobre um jantar de natal entre amigas e claro, quando se fala de jantares, sejam eles de natal ou não, a comida è um assunto inevitável...
Juntamo-nos todas num café para mais uma "tertúlia cor-de-rosa" como gostamos de chamar a estas cavaqueiras femininas, onde falamos de muitas coisas, relacionadas com a vida de cada uma. Dizem-se umas bacoradas, falam-se também de coisas sérias mas principalmente, rimo-nos a bandeiras despregadas daquelas pequenas coisas que no dia-a-dia não nos dão vontade de rir nenhuma. É engraçada a capacidade que nós mulheres temos de fazer a festa com pequenas coisas. Juntem um grupo de amigas ( atenção, eu disse amigas!), à volta de uma mesa e è garantido que em pouco tempo, as gargalhadas comecem a rebentar, tipo pipocas a saltar num tacho bem quente!
Atenção, a todos os homens que me estão a ler, não quero dizer com isto que os homens não sabem fazer a festa, não me interpretem mal! Apenas estou a ver a coisa pela perspectiva feminina, só isso!...
Voltando ao tal jantar de natal, combinada a data, viramo-nos para os comes e bebes, para decidir quem levava o quê. A mim calhou-me o departamento das sobremesas e pão-de-ló de Ovar para cima e bolinhos de bolina para baixo, acabámos a falar de crepes, o que não è de admirar, já que todas nós somos "creptomaníacas" assumidas e com cadastro criminal!
È claro que as minhas amigas, que não partilham desta minha irritante mania de usar a cozinha para cozinhar, para além de só usar o microondas (que aliás eu nem tenho!), enalteceram, cheias de entusiasmo, as qualidades dos crepes congelados, já prontos a usar e dos respectivos "toppings"!!!... Enquanto isso, eu ia pensando com os meus botões, "perdoa-lhes senhor, pois elas não sabem o que comem! ". E de seguida, disse," podem até ser bons ( já provei um, por isso tenho conhecimento de causa!) mas não são tão bons como os que se fazem em casa". Acreditem que è duro ser a única mulher que gosta de cozinhar num grupo de declaradas inimigas da cozinha. Por vezes pareço o S. António a pregar aos peixes!...
Seja como for, divergências culinárias à parte, o que realmente importa è que são boas raparigas, quanto ao resto a gente dá um jeito, afinal de contas ninguém è perfeito!
Os crepes são tão fáceis de fazer em casa e tão bons de comer que qualquer pessoa com uma sertã anti-aderente (não precisa de ser xpto) consegue fazê-los "com uma perna ás costas"!
Chocolate e banana è bom, muito bom e para provar que gosto mesmo de chocolate com banana vejam aqui, aqui e aqui. Também gosto de crepes, assim, já era de esperar que os juntasse mais dia menos dia. Os crepes são macios como os crepes devem ser mas estas bananas douradas
são para mim, uma perdição. Não esperem um molho ligado, no fim vão ficar com uma manteiga liquida e doce com sabor a banana e a canela, mas por cima dos crepes com as rodelas de banana e um pouco de natas frescas e açucaradas, è de comer e pedir mais.
Bom fim de semana!



Ingredientes:
100 gr. de farinha
50 gr. de manteiga
50 gr. de chocolate preto (70% cacau, pelo menos)
1 pitada de sal
2,5 dl. de leite
3 ovos

Bananas douradas:
2 bananas médias não muito maduras, cortadas em rodelas
50 gr. de manteiga
20 gr. de açúcar amarelo
1 colher de café de canela em pó

Para servir:
200 ml. de natas
Açúcar a gosto
Canela ou cacau em pó para polvilhar (opcional)
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Levo a manteiga e o chocolate a derreterem em banho Maria*.
Peneiro a farinha para uma taça e junto-lhe o sal.
Aos poucos vou juntando aos ovos que entretanto bati. Eu prefiro fazer isto com uma vara de arames para evitar os grumos.
A seguir junto o leite, primeiro só um pouquinho para tornar o polme mais macio e depois o resto, mexendo sempre para evitar os tais grumos.
Deixo o polme repousar 20 minutos e depois junto a mistura de manteiga e chocolate que entretanto já arrefeceu.
Para fritar, ponho uma nozinha de manteiga numa sertã que convém ser anti-aderente, deixo a manteiga fazer espuma o que quer dizer que está bem quente mas sem deixar queimar e dependendo do tamanho da sertã ponho um pouco de polme de forma a cobrir o fundo da mesma mas de forma a que fique uma película de massa o mais fino possível.
Assim que ponho o polme, viro logo a sertã de um lado para o outro, para que o mesmo se distribua uniformemente pela sertã.
Normalmente não volto a juntar manteiga à sertã, a manteiga nos crepes já è suficiente para eles não pegarem, è claro que convém usar uma boa sertã, senão nada feito, nem com manteiga lá vão!
Os crepes demoram pouquíssimo tempo a fritar, quando começam a levantar na sertã, viram-se e fritam-se alguns segundos do outro lado ( são mesmo só alguns segundos!).
Para fazer as bananas, levo o açúcar a derreter com a manteiga numa sertã. Quando Quando a mistura começa a fazer espuma, junto a canela e mexo para ligar.
Cozinho as rodelas de banana neste "molho" durante alguns minutos, não muitos pois a banana tem tendência para se desfazer. É só deixar que os sabores se liguem, tira-se do calor e deixar arrefecer um pouco.
As natas são batidas com a quantidade de açúcar que se gostar mais. Normalmente eu junto o açúcar a olho, ás natas já um pouco batidas, bato até o açúcar dissolver e provo se achar que precisa de mais açúcar junto mais um pouco e continuo a bater até estarem firmes.
Sirvo os crepes dobrados em leque, com uma taça de natas e outra de bananas douradas com a respectiva manteiga.Gosto de os "regar" com um pouco da manteiga doce em que as bananas fritaram.
Quem gostar pode polvilhar estes crepes com canela ou até cacau em pó.


* O banho maria consiste em cozinhar, ou neste caso derreter, alimentos num recipiente que foi posto dentro de outro que está ao lume (brando) com água a ferver.

Quarta-feira

Dias "calientes" em pleno Outono


Sol...e azul...finalmente!
Até há bem pouco tempo, se me perguntassem qual a minha estação preferida, a resposta seria rápida e certeira, Outono...
As cores quentes e acolhedoras das folhas caídas no chão. As castanhas e os dióspiros e a promessa das primeiras noites frias, brindadas a chocolate quente ao calor da salamandra. Tudo coisas que só nesta altura do ano me alegram e sabem tão bem. No entanto algo se quebrou!...
As últimas semanas trouxeram muitos dias de chuva forte e fria e num desses dias, em que eu olhava pela janela para a erva alta e molhada lá fora, senti verdadeiramente a falta do verão!
Que viessem de novo os dias azuis e a brisa morna, que viesse a alegria e claro o sol!... E finalmente ele chegou!
Ontem ao acordar, quando olhei lá para fora, à minha espera tinha um céu azul, um azul tão forte e tão bonito que me fez lembrar outros dias de céu azul passados em La Manga, há já bastantes anos atrás. Dias com sabor a tapas, a paella e a tortilhas variadas.
A hora de almoço chegou e inevitavelmente o cheiro de cebola, cogumelos e chouriço fritos encheu o ar. Juntaram-se a eles batatas cozidas e fatiadas que se cobriram com ovos batidos bem temperados e regaram com azeite. Salpicaram-se com sal e deliciosa pimenta preta e cozinhou-se em forno quente até dourar. O que veio a seguir foi uma tortilla, espanhola sim senhor... Mas da caliente La Manga!

Ingredientes: 2 pessoas
5 ovos grandes
2 batatas médias
1 cebola pequena picada
1 cogumelo portobello grande ou 2 pequenos fatiados
Rodelas finas de chouriço de carne e colorau
Sal e pimenta preta a gosto
Azeite suficiente para cobrir o fundo de uma forma de tarte pequena
Salsa para polvilhar


Começo por cozer as batatas em água e sal, escorro-as e deixo arrefecer.
Cubro o fundo de uma sertã com azeite e levo a aquecer em lume forte, quando estiver bem quente junto a cebola e frito até alourar, logo a seguir junto os cogumelos misturados com o chouriço salpico com sal e pimenta e deixo fritar também, mexendo para não queimar. Por esta altura o cheirinho já è irresistível!
Corto as batatas cozidas em fatias fininhas.
Pré-aqueço o forno a 200º, marca 6 do fogão a gás.
Na forma de tarte, que deve ser pequena tendo em conta a quantidade de ingredientes, ponho a fritada de cebola, chouriço e cogumelos mas antes provo e rectifico os temperos.
Junto mais um pouco de azeite, cubro com as fatias de batata.
Por fim bato os ovos, tempero-os com sal e pimenta e espalho-os por cima das batatas.
Levo a tortilha ao forno e acabo por me queimar ( mais uma marca/troféu para a minha colecção!). Deixo no forno até os ovos estarem cozinhados, cerca de 10 a 15 minutos.
Depois è só deixar arrefecer um pouco e desenformar, tal qual como se de um bolo se tratasse.
Faço uma salada, polvilho a tortilla com salsa picada e è só servir.

Segunda-feira

Farinha de pau de pescada


Alguns de vocês provavelmente tiveram avós como a minha que de vez em quando gostava de me surpreender com um prato de farinha de pau. Dizia ela que aquela papa com sabor a peixe ( a minha avó nunca fazia farinha de pau com carne ) ia fazer-me crescer!... Agora percebo porque nunca passei do 1,62m, foi falta de farinha de pau!...

Eu detestava, por e simplesmente detestava!

E fazendo jus ao que a minha avó sempre disse sobre mim, "o pobre pode ir sem esmola mas sem resposta não vai", ainda resmungava que não percebia como é que as pessoas gostavam "daquilo". É claro que a minha arrogância infantil, viria mais tarde a ser alegremente "engolida", juntamente com grandes colheradas de farinha de pau.
As pessoas nunca devem dizer "desta água não beberei" mas já eu, nunca devia ter dito "desta farinha de pau não comerei", pois agora e com a infância a décadas de distância, não só como a papa toda como ainda choro por mais!

Adoro, por e simplesmente adoro!

A minha avó Tina de quem eu já falei aqui, fazia apenas 2 tipos de farinha de pau, de sardinha e de pescada, sendo a última a minha preferida, feita com um refogado brando em que a cebola mal chega a alourar. Depois é só deixar que os sabores do peixe, do tomate também levemente refogado e da farinha de pau, se misturem a fogo lento.
Ainda hoje faço a farinha de pau da mesma forma que a minha avó me fazia quando eu era pequena. Ela era uma mulher de temperos ( e temperamento ) fortes, mas com a minha farinha de pau era sempre mais branda. Foi sem dúvida a pessoa que mais me mimou, mas também as avós são para isso mesmo, por isso é que nós gostamos tanto delas, não é?

Passemos agora ao lado prático. Fazer esta receita não tem nada que enganar, no entanto há um pormenor que eu não quero deixar passar em branco e que tem a ver com a forma como se junta a farinha ao caldo. A minha avó sempre o fez da mesma forma que era diluir a farinha de pau num pouco de água fria e só depois a misturar no caldo. Existem receitas onde a farinha è junta directamente, mas por experiência própria eu não aconselho esta alternativa, a não ser que estejam preparados para mexer freneticamente com uma mão, enquanto com a outra vão deitando a farinha lentamente e em chuva no caldo fervente e mesmo assim correrem o risco de acabarem com uma papa cheia de grumos. Eu cheguei a experimentar e foi o descalabro total, acabei por deitar tudo ao lixo. Aprendida a lição agora sigo o método que sempre conheci e que nunca me falhou.


Ingredientes: 1 pessoa
1 posta de pescada
1 tomate maduro
1/2 cebola bem picada
Mais ou menos 100 gr. de farinha de pau ( farinha de mandioca )
1 folha de louro
2 colheres de sopa de azeite
Sal e pimenta preta de preferência acabada de moer

Preparação:
Coze-se o peixe em água e um pouco de sal, até ficar tenro ( guarda-se a água da cozedura ).

Refoga-se a cebola no azeite quente até ficar transparente e junta-se o tomate sem pele, cortado em pedacinhos - nem sempre eu tiro as sementes, depende da minha disposição - e deixa-se refogar um pouco, 4 a 5 minutos, mexendo sempre.

Junta-se água de cozer o peixe ( a quantidade depende da fome do momento ), junta-se a folha de louro e a pimenta, rectifica-se o sal e deixa-se ferver 10 minutos para apurar um pouco.

Junta-se o peixe feito em lascas.

Dissolve-se a farinha num pouco de água fria e junta-se ao caldo, mexendo sempre para não ganhar grumos.
Deixa-se ferver uns 10 minutos em fogo lento para engrossar, mexendo de vez em quando.

A quantidade de farinha depende da quantidade de caldo, se acharem que está muito aguado, podem diluir mais um pouco de farinha em água fria e voltar a juntar ao tacho sem problemas.

Eu faço isto sempre a olho, as quantidades acima referidas são apenas uma orientação.

Pessoalmente eu gosto da farinha de pau bem consistente mas claro, isso vai do gosto de cada um .