quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Bolo de pêssego, amoras e amêndoa # Peach, blackberry and almond cake






Lentamente vou dando espaço à nostalgia morna do Outono. Tanto que quando comecei a fotografar este bolo o mood começou por ser escuro, um bolo de frutos de Verão num ambiente de tons amadurecidos e fortes. Não foi intencional, aliás para o blog,  raras são as vezes que  planejo com antecedência os cenários. Limito-me a olhar em volta do estúdio, escolher na hora louças e adereços e deixar fluir a inspiração do momento. Mas essa mesma nostalgia outunal fez-me querer aproveitar o que ainda me resta do Verão, e do estúdio passei ao jardim e à luz exterior que eu tanto gosto e que tão pouco tenho aproveitado nos últimos tempos.

Esta é para mim a dentada doce perfeita, amanteigada, húmida, com uma camada suculenta e colorida de pêssegos e amoras, o tipo de massa doce que se desfaz em migalhas sedutoras, amendoadas e que casa na perfeição com pausas descontraídas neste final de Agosto, com um chá ou um café na mão.

E enquanto isso em breve a terra entrará num novo ciclo e haverá novos frutos para colher, até lá deixo-vos alguns fragmentos fotográficos deste Verão.

Até breve!


In English
Slowly I give space to Autumns warm nostalgia. So much so that when I started shooting this cake the mood started by being dark, a Summer fruit cake in a set of ripen, strong tones. It wasn´t intentional, as a matter of fact when I shoot for the blog, I rarely plan the sets in advance. I just look around the studio, pick the props and let the inspiration of the moment flow. But some how that same Autumn nostalgia made me want to make the most of what I have left of Summer and from the studio I went to the garden, to the exterior light I like so much and that I´ve been neglecting a bit lately.

This, for me, is the perfect sweet bite, buttery, moist, with a suculent, colorful layer of peaches and blackberries, the type that falls apart into seductive, almondy crumbles and that marries perfectly with relaxed breaks in this late August, with a cup of tea or coffee in hand.

Meanwhile soon the earth will enter a new cicle and there will be new fruits to pick but until then I leave you some photographic fragments of this Summer.

See you soon!






















Ingredientes: forma de
220 g de farinha (separe 1 colher de sopa para polvilhar os morangos)
150 g de açúcar
80 g de manteiga mole
2 ovos
100 g de amêndoa moída
120 ml de queijo fresco batido, usei magro
1 colher de chá de fermento
1/2 colher de chá de bicarbonato
1 colher de café rasa de sal fino
3 pêssegos cortados em fatias grossas
100 g de moras congeladas + algumas para o topo do bolo



Preparação:
*Pré aqueça o forno a 180º, marca 4 do fogão a gás.
*Forre uma forma de fecho e fundo falso com papel vegetal, na base e nos lados.
*Na base da forma disponha as fatias de pêssego e algumas amoras.
*Numa taça junte a farinha, o açúcar, a amêndoa, o fermento, o bicarbonato e o sal .
*Noutra taça junte os húmidos, os ovos batidos, a manteiga e o queijo fresco, misture bem e junte aos secos. Mexa só para ligar sem bater. Junte as 100 g de amoras e misture-as na massa.
*Verta a massa na forma e leve ao forno por 60 minutos aprox. Insira um palito no meio se sair seco está pronto. Assim que o bolo começar a ganhar cor, cubra a forma com papel de alumínio para evitar que queime.
*Tire do forno, espere que o bolo arrefeça totalmente e desenforme.
*É ótimo com um chá fresco ou com um café :)






Ingredients: 
220 g flour (save 1 tbs for the strawberries)
150 g of caster sugar
80 g of soft butter
2 eggs
100 g finelly ground almonds
120 ml whipped fresh cheese
1 tsp baking powder
1/2 tsp baking soda
1/4 tsp salt
3 large peaches cut into thick slices
100 g frozen blackberries + some more for the cake top.


Preparation:
*Preheat the oven to 180º, 350f, gas mark 4.
*Line a springform cake tin with parchment paper.
*Place the slices of peach on the base of the tin and a few frozen blackberries in the middle and all around them.
*In a bowl put the flour, ground almond, sugar, baking powder, baking soda and salt.
*In another bowl put the wet ingredients, beaten eggs, butter and fresh cheese.
*Mix the wet ingredients with the dry ones, just to combine, without beating. Fold the 100 g of frozen blackberries into the batter. Pour it into the cake tin.
*Bake for about 1 hour (as soon as the cake starts to gain color cover the tin with foil to prevent from burning)  or until a skewer inserted in the middle of the cake comes out clean.
*Take the cake out of the oven, wait until it cools completely and unmold.
*This cake is wonderful with some homemade  iced tea or coffee :)





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quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Cheesecakes de morango e queijo fresco # Strawberry and fresh cheese cheesecakes







Agosto vai-se fazendo de coisas simples. Aquelas que no final do dia são sempre as que valem realmente a pena.
Os primeiros dias foram passados entre macieiras carregadas de frutos e campos de milho a encherem o horizonte. Lufadas de ar fresco devoradas entre ribeiros de água cristalina e flores silvestres. E muito verde. Verde por todo o lado.
E agora que estou de volta a casa tenho mantido o ritmo brando e a simplicidade, até mesmo na cozinha.
Estes copos de cheesecake são o espelho disso mesmo. Simples desde a preparação aos ingredientes, sem no entanto perderem uma pitada que seja do seu delicioso encanto.
Porque agora é tempo de viver devagar :)

In English
August is being made with simple things.
The first days of the month were spent between apple trees loaded with fruits and corn fields filling the horizont. Breaths of fresh air devored between streams of crytal clear water and wild flowers. And lots of green. Green everywhere.
And now that I´m back home I´ve kept the soft rythm and simplicity, even in the kitchen.
These cheesecake glasses are the mirror of that. Simple from the preparation to the list of ingredients without loosing a hint of it´s delicious charm.
For now it´s all about slow living :)














Ingredientes: 4 copos
150 g de bolacha Maria
75 g de manteiga sem sal derretida
Recheio:
300 g de morangos
300 g de queijo fresco batido, usei magro
100 g de açúcar
4 folhas de gelatina

Preparação:
*Desfaça as bolachas o mais que puder e coloque-as num processador, junte-lhes a manteiga e triture até ficar com uma mistura de migalhas. Esta massa fica solta mas é mesmo assim.
*Mergulhe as folhas de gelatina em água fria para amolecerem.
*Coloque os morangos lavados e cortados em pedaços no processador e junte-lhes o queijo e o açúcar, triture até que os morangos fiquem desfeitos.
*Leve as folhas de gelatina escorridas ao lume num tacho até dissolverem, mas atenção o lume tem que ser muito brando e a gelatina não pode ferver pois isso neutraliza a solidificação. Eu não pouso o tacho no fogão, deixo que aqueça levemente sobre a chama só até que a gelatina derreta.
*Deixe arrefecer um pouco e junte à mistura de morangos.
*Coloque 3 colheres de sopa de massa de bolacha no fundo de cada copo e verta a mistura de morango e queijo por cima.
*Leve ao frigorífico de um dia para o outro.
*Na altura de servir, decore com morangos e outros frutos vermelhos.




Ingredients: 4 glasses
150 g Maria cookies (you can use digestive cookies)
75 g unsalted butter, melted
Filling:
300 g strawberries
300 g whipped fresh cheese, I used low fat
100 g caster sugar
4 gelatin leaves

Preparation:
*Mash the cookies as best as you can and put them inside a food processor, add the butter and process until you end up with a crumbly kind of pastry dough. This dough will be very loose but that´s how it´s supposed to be.
*Dive the gelatin leaves into cold water to soften them.
*Put the strawberries cut into pieces, fresh cheese and sugar into a food processor and process until the fruit is pureed.
*Drain the gelatin leaves, squeeze any excess water and put them inside a saucepan. Take to a very low heat to melt but be careful not to let it boil, or it will not solidify. I hold the saucepan without letting it touch the fire for the smallest amount of time possible.
*Let it cool a bit and stir into the strawberries mixture.
*Place 3 tbs of cookie dough into each glass, and pour the strawberry cream on top.
*Take to fridge over night.
*Serve with strawberries and other berries you like.



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quarta-feira, 30 de Julho de 2014

Conchiglioni de Verão # Summer conchiglioni





O meu estômago e coração têm uma fraqueza assumida por massas. Massas alimentícias, massas de pão, massas areadas, com destaque para as primeiras já que a receita desta vez inclui conchiglioni, estas conchas lindas, enormes, promessa de abundância de sabores reconfortantes de Verão. Uma tela em branco, uma base de sabor que colori e impregnei com as cores e aroma dos tomates maduros e dos pimentos verde e vermelho, um toque de azeitona preta, o perfume da segurelha (eu disse-vos que ultimamente ponho segurelha em muito do que se cozinha por aqui) e uns quantos raios de sol que libertam na brisa o que de melhor têm os ingredientes da estação. Sem segredos ou mistério esta é simplesmente uma saborosa receita caseira de inspiração mediterrânica, sem pretensões a algo mais. E isso por aqui é satisfação garantida.

Entretanto e embora já tenha passado algum tempo desde que estive em Trás os Montes, só agora tive tempo para editar e publicar aqui algumas imagens.
Foi uma viagem de trabalho que acabou por ser também de descoberta. Vi pela primeira vez o Douro Internacional do alto do miradouro de S. João das Arribas. Um Douro verde, de caudal estreito, a passar por entre arribas duras, de natureza agreste, pertencentes de um lado a Portugal e do outro a Espanha. Uma paisagem megalómana que reduz o corpo a um ponto perdido no universo mas que expande a alma para além do infinito. Vi muitos campos de castanheiros em flor e muitas flores nas varandas e jardins alheios. Descobri a Aldeia Nova em Miranda do Douro onde as placas nas ruas estão escritas primeiro em mirandês e depois em português, o preservar daquela que é a segunda língua oficial portuguesa. Olhei rostos bem portugueses, ora rosados e lisos, ora com rugas vincadas à força bruta do sol e do frio, todos eles cheios de beleza. Comi a genuína posta mirandesa, costeleta de vitela e javali, batatas a murro, vegetais de hortas particulares, compota caseira de cerejas da terra, bola de carne tenra e amanteigada e enchidos. Passei por olivais, carvalhos centenários e campos dourados de trigo e centeio. E por fim cheguei à aldeia de Montesinho. Subi à barragem da Serra serrada e no regresso sentei-me à mesa de um café da aldeia a ouvir histórias de quem agora vive da castanha e em alguns casos do turismo. Da destruição que os veados deixam de cada vez que baixam à aldeia para comer os castanheiros novos e no tempo delas também as castanhas, já para não falar das hortas. E dos receios da concorrência, próprios de quem vive numa aldeia pequena cada vez mais virada para o turismo. Fiquei num pequeno paraíso guardado entre muros velhos de granito e campos cheios de hortelã.
E ao voltar a casa, voltei cheia de muitas coisas que não ocupam lugar mas que me preenchem muito mais do que muito do que é visível a olho nu.

P.S. E agora uma novidade! Há algum tempo fui convidada a escrever para o Wall Street International (versão portuguesa) e o meu primeiro artigo foi publicado ontem :)



In English
My stomach and heart have an assumed weekness for all things dough. Pasta dough, bread dough, flaky dough, especially the first since the recipe this time includes conchiglioni, these beautiful, huge shells, promisse of abundance of comforting Summer flavors. A blank canvas, a base of flavor that I painted and impregnated with the colors and scent of ripe tomatoes and green and red peppers, a touch of black olive and some savory (I told you that lately I use savory in almost everything that is cooked around here) and a few sunbeams liberating in the breeze the best of these seasonal ingredients. Without secrets or mistery this is simply a mediterranean inspired, tasty, homemade recipe without pretensions of being something else. And around here that means satisfaction guaranteed.

In the meantime and although it´s been some time since my trip to Trás os Montes, only now I had the time to edit some photos to post here.
It was a work trip that turned out to be a discovery one as well. I saw for the first time the Internacional Douro in S. João das Arribas. A green Douro with a narrow stream, passing through harsh cliffs of ragged nature, belonging on one side to Portugal and on the other side to Spain. A megalomaniac landscape that reduces the body to a lost point in the universe but expands the soul beyond infinity. I saw many fields of flowering chestnut trees and many flowers on the balconies and gradens of strangers. Discovered Aldeia Nova in Miranda do Douro where the street signs are written first in mirandese and then in portuguese, the preserving of that that is the second official portuguese language. I looked at many truly portuguese faces, some pink and smooth and some with wrinkles made by the brute force of the sun and the cold, all of them filled with beauty. I ate the genuine posta mirandesa, veal chop and wild boar, roasted, punched potatoes with olive oil and garlic, vegetables from private kitchen gardens, homemade cherry compote, buttery and tender meat bola and smoked meats and chouriço. I went through olive groves and oaks with centuries of age and golden fields of wheat and rye. And then I finally reached the village of Montesinho. I hicked to the dam of Serra Serrada and when I returned I sat at a café table listening to the stories of those who now live almost exclusively from the chestnut groves and in some cases the tourism. Stories about the destruction that deer leave each time they descend to the village to eat the new chestnut trees and when in season the chestnuts too, not to mention the kitchen gardens. And the fear of competition in the people of a small village that lives more and more for and from the tourism. I stayed in a small paradise kept between old granite walls and fields covered with wild mint.
And upon returning home I found myself filled with many things that don´t occupy space but which fulfill me more than much of what is visible to the naked eye.

P.S. And now some news! Some time ago I was invited to write for Wall Street International (portuguese version) and my first article was published yesterday :)



















Ingredientes: 4 pessoas
400 g de massa conchiglioni
2 peitos de frango cortados em cubos
150 g de pimento vermelho cortado em tiras finas
150 g de pimento verde cortado em tiras finas
200 g de tomates chucha mini, cortados ao meio
1 colher de sopa de rodelas de jalapeños em conserva (opcional)
1 dente de alho picado
2 colheres de sopa de azeite
5 hastes de segurelha
2 dl de caldo de galinha de boa qualidade ou caseiro
1 colher de sopa bem cheia de polpa de tomate
1 colher de chá de pasta de azeitona preta
Sal a gosto
Pimenta preta a gosto
Folhas de salsa e de segurelha para decorar

Preparação:
*Num tacho grande aqueça o azeite, aloure os pedaços de frango até toda a carne ficar opaca e levemente dourada, cerca de 6 minutos, mexendo para virar.
*Junte os pimentos, os tomates, o alho picado e refogue durante 1 ou 2 minutos.
*Junte a pasta de azeitona, o caldo de galinha, a segurelha, os jalapenõs (se não gostar de picante descarte os jalapenõs) e a polpa de tomate, tempere com sal e pimenta preta a gosto e deixe cozinhar com o tacho destapado até o frango estar cozinhado, cerca de 10 a 15 minutos. Tire do lume e reserve.
*Entretanto coza a massa em bastante água a ferver temperada com sal, por cerca de 15 minutos, escorra e ponha dentro do tacho com o frango, leve de novo ao lume e misture bem, cozinha apenas por alguns minutos só para que a massa absorva o molho do frango.
*Sirva com folhas de salsa e de segurelha e azeitonas pretas.



Ingredients:
400g conchiglioni
2 chicken breasts cut into cubes
150g red pepper cut into thin stripes
150g green pepper cut into thin stripes
200g baby roma tomatoes
1 tbs pickled jalapenõs
1 clove of garlic, chopped
2 tbs olive oil
5 springs of savory
200 ml good quality chicken stock
1 tbs tomato passata
1 tsp black olive paste
Salt to taste
Freshly ground black pepper to taste
Parsley and savory leaves to serve

Preparation:
*Heat the olive oil in a large pan, cook the chicken cubes until all the meat becomes opaque and slightly golden, about 6 minutes, stirring to turn the meat.
*Stir in the peppers, tomatoes and garlic, cook for a couple of minutes.
*Add the black olive paste, the chicken stock, savory,  jalapenõs (don´t use them if you don´t like heat) and the tomato passata, season with salt and pepper and cook until the chicken is done, about 10 to 15 minutes.
Take out of the heat and keep for latter.
*In the meantime cook the pasta in plenty of boiling, salty water for about 15 minutes until al dente, drain and put the pasta inside the pan with the chicken, take to the heat and cook a bit just so the pasta absorbs the sauce.
*Eat with a few savory and parsley leaves and black olives.



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