segunda-feira, 23 de março de 2015

Falafel integral de feijão preto # whole wheat, black bean falafel




Não é segredo que aqui, deste lado do ecran vivem carnívoros felizes. Também se gosta  muito de couve galega e outros ingredientes "deliciopoderosos", é verdade, mas em compensação, faz-se questão de manter em alta o consumo de doses generosas de chocolate. Bebe-se um sumo natural ou uma garrafa de vinho com a mesma alegre satisfação. E os bolos, salvo raras exceções, continuam a ter açúcar refinado na lista de ingredientes. No entanto e de vez em quando, viramos tudo de pernas para o ar, respiramos fundo e entramos em modo refeições verdes e virtuosas, e nem sequer importa que seja apenas por um dia, uma espécie de eco residual vindo algures dos anos noventa, aquando da minha tentativa (falhada) de me tornar macrobiótica.
Num dia mau, a generation gap que por aqui está sempre em estado latente manifesta-se, e entre garfadas indulgentes, os meus rapazes perguntam-se se se trata mesmo de uma refeição ainda mais saudável ou se é a resposta maternal a algo que fizeram de errado.
Mas depois lá vem um dia bom. Como aquele em que uns falafel integrais de feijão preto, recheados com ervas frescas e o sabor quente dos cominhos, conquistam igualmente as duas gerações que dão vida e cor a esta casa. Nesses dias apetece-me aproveitar a embalagem e pondero seriamente a mudança gradual de regime alimentar mas depois e à medida que a poeira do entusiasmo vai assentando, começam a vir à superfície imagens tentadoras de cozidos à portuguesa, papas de sarrabulho e galinha assada com limão, tomilho e alecrim. E é aí que eu sei que está na hora de voltar a ser uma carnívora feliz, sabendo com certeza que outros dias verdes/virtuosos estão algures guardados no meu futuro :)



In English
It´s no secret that here, on this side of the screen lives a bunch of happy carnivores. We are big fans of kale and other "delishpower" foods, is true, but still we make a point in keeping high the consumption of generous doses of chocolate. We drink a natural juice or a bottle of  wine with the same happy satisfaction. And the cakes, with few exceptions, continue to have refined sugar in the ingredients list. However and from time to time we turn everything upsidown and enter into green and virtuous meals mode and it doesn´t even matter that it´s only for a day, a kind of residual echo coming somewhere from the nineties, when my (failed) attempt to became macrobiotic took place.
On a bad day, the generation gap that here is always latent, manifests itself and between indulgent mouthfuls my boys wonder if it´s really an even more healthy meal or whether it is the maternal response to something they done wrong.
But then there comes a good day. As the one in which some whole wheat, black beans falafel, stuffed with fresh herbs and the hearty flavor of cumin, conquer equaly the two generations that give life and color to this house. On those days I ponder seriously a gradual change of diet but then and as the dust of enthusiasm begins to settle down, tempting images rise to the surface: Portuguese boil (boiled cow´s, chicken´s and smoked meats and vegetables), sarrabulho rice (rice made with pork´s meat and blood) and roasted chicken with lemon, thyme and rosemary. And that´s when I know it´s time to go back to being a happy carnivore, knowing for sure that other green/virtuous days are kept somewhere in my future :)










Ingredientes: cerca de 15 a 16 falafel
200 g de feijão preto seco
1 cebola média picada
2 colheres de sopa de salsa picada
1 colher de sopa de coentros picados
2 dentes de alho ralados
1 colher de chá de cominhos
1 colher de chá de fermento em pó
4 colheres de sopa de farinha de trigo integral
Sal a gosto
Pimenta preta a gosto
Óleo vegetal a seu gosto ( eu uso óleo de girassol)
Molho de iogurte:
100 ml de iogurte natural
1 dente de alho picado
Pitada de sal
Umas gotas de sumo de limão

Preparação:
*Coloque o feijão em água fria durante a noite. No dia seguinte coza até ficar macio, junte sal à água de cozer o feijão já quase no fim da cozedura. Guarde um pouco da água da cozedura.
*Num processador coloque o feijão cozido, a salsa, os coentros, os cominhos, a cebola picada, os alhos, o sal e a pimenta. Triture até tudo ficar ligeiramente desfeito, junte o fermento e a farinha e volte a triturar até tudo estar ligado. A mistura pode ser um pouco difícil de triturar, se necessário junte 1 a 2 colheres de sopa da água da cozedura do feijão  mas não mais do que isso.
*Molde bolas pequenas com a massa e frite em óleo bem quente até alourarem. Escorra o excesso do óleo colocando os falafel em cima de papel de cozinha.
*Faça o molho de iogurte juntando todos os ingredientes e mexendo.
*Sirva dentro de pão pita aquecido e com pedaços de tomate, folhas verdes e pepino.
 *Salpique com o molho de iogurte.




Ingredients: about 15 to 16 falafel
200 g black beans
1 medium onion, chopped
2 tbsp choped parsley
1 tbsp chopped cilantro
2 cloves of garlic, minced
1 tsp cumin
1 tsp baking powder
4 tbsp whole wheat flour
Salt to taste
Black pepper to taste
Vegetable oil of your choice to fry (I use sunflower oil)
Yogurt sauce:
100 ml plain yogurt
1 garlic clove, minced
A few drops of lemon juice
Pinch of salt

Preparation:
*Soak the beans over night. The next day cook them in a pot with water until really soft, season the cooking water with salt at the last minute, otherwise the pulses will harden up. Keep some of the cooking water.
*Put the beans, onion, garlic, herbs, cumin, salt and pepper inside a food processor and process until it resambles small crumbs.
*Add the baking powder and flour and process until a ball forms. The mixture may be a bit hard to process,  to make it easier you can add 1 to 2 tbsps of the pulses cooking water but not more.
*Shape the dough into small balls and deep fry them in hot vegetable oil, until crisp. Put them on top of kitchen paper to drain the excess of oil.
*Make the yogurt sauce by mixing all the ingredients together.
*Serve with warm pita bread, slices of tomato,  cucumber and green leaves.
*Drizzle with the yogurt sauce.

Print Friendly and PDF

terça-feira, 10 de março de 2015

Sopa de couve flor, cogumelos marrom e tomilho # Cauliflower, cremini mushrooms and thyme soup






Voltei  há uma semana e pouco de uma daquelas viagens únicas que me lavam a alma e deixam de fora da correnteza do tempo. Demorei dias até ter os dois pés novamente fincados no chão e mesmo agora, parte de mim parece ainda estar longe, num lugar intangível, impossível de encontrar num qualquer mapa.

A viagem de regresso a casa começa sempre por ser uma coisa estranha, boa mas ainda assim estranha. Uma mudança brusca de ar e de ritmo. Horas e horas parada, entre estações frias, enfumaçadas e comboios ruidosos, à espera, simplesmente à espera... O desacelerar é lento,  contrafeito e enquanto isso à minha frente desfila o vai e vem dos que chegam e dos que partem, num turbilhão de emoções, riso, choro e também apatia. Valem-me ao menos as saudades imensas dos meus homens mais novos e saber que  todos os desejos de comida caseira, por agora já impossíveis de disfarçar, serão em breve satisfeitos. O que me leva aos crumbles, aos arrozes e claro às sopas, como esta, de couve flor, cogumelos marrom e tomilho. A junção de alguns dos meus ingredientes preferidos numa sopa cremosa, de sabor intenso e reconfortante.

E de volta a casa, mais algumas imagens do Porto :)



In English
I´ve just returned from one of those unique trips that cleanse my soul and leave me out of the stream of time. It took me several days to have both feet planted firmly on the ground again and even now I feel that part of me still seems to be far away, in an intangible place, impossible to find in any map.

The homecoming trip starts always by being strange, good but nevertheless strange. A sudden change of air and pace. Hours and hours still, between cold, smoky stations and noisy trains, waiting... I decelerate slowly, while in front of me parades the comings and goings of those arriving and departing in an whirwind of emotions, laughter, cry and also apathy. At least I´m longing to see my younger men and I know that all of my homemade food cravings (by now impossible to disguise)  will soon be satisfied. Which brings me to crumbles, rices and of course soups, like this one, made with cauliflower, cremini mushrooms and thyme. The joining of some of my favorite ingredients in a creamy soup, with intense and comforting flavor.

And back home I took a few more shots of Porto :)
















Ingredientes:
1 kg de couve flor
150 g de cogumelos marrom
2 batatas médias cortadas em pedaços pequenos
1 cebola média picada
2 colheres de sopa de azeite
Cerca de 1 lt de caldo de vegetais, talvez um pouco mais, de preferência caseiro
Sal a gosto
1/2 colher de sopa de tomilho seco

Preparação:
*Aqueça o azeite numa panela grande e frite a cebola até ficar translúcida.
*Junte a couve cortada em pedaços, as batatas, os cogumelos, sal a gosto e o tomilho. Junte caldo de vegetais, o suficiente para apenas cobrir os vegetais e deixe ferver até tudo estar cozido, cerca de 15 minutos.
*Esta sopa deve ficar cremosa, começe por juntar pouco líquido e no fim, se depois de passada ficar muito consistente junte mais um pouco a gosto.
*Passe a sopa com uma varinha mágica.
*Sirva com tiras de pão torrado, salpicadas com azeite.






Ingredients:
1 kg cauliflower
150 g cremini mushrooms
2 medium potatoes, cut into small pieces
1 medium onion, chopped
1 lt of vegetable stock, maybe a bit more, homemade is best
Salt to taste
1/2 tbsp dry thyme

Preparation:
*Heat the oilve oil in a big heavy bottomed pan and fry the onion until translucid.
*Strir in the cauliflower cut into pices, the potatoes, the mushrooms, salt to taste and the thyme. Add the stock, just enough to barely cover the veggies and bring to a boil. Cook until tender, about 15 minutes.
*This is a creamy soup, so start by adding a small amount of stock and in the end, when you blitz it and if it´s to thick add a bit more liquid to taste.
*Remove from the heat and blitz until velvety.
*Serve with stripes of toasted bread, drizzled with olive oil.








Print Friendly and PDF

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Bolos de azeite e baunilha com cobertura de iogurte e limão # Olive oil and vanilla cakes with yogurt and lemon topping






No meu Norte há uma costa imensa, com um mar que se estende num azul eterno e ondulante. 
No meu Norte há pequenos campos alheios, resquícios da natureza que ficou indiferente aos avanços da vida urbana. 
Há burburinhos constantes,  nas horas e nos dias que passam.
Mas neste meu Norte não há montes silenciosos no infinito do horizonte, nem neve branca e brilhante entre eles e o azul do céu, como os que vi em Montalegre. 
Ao vê-los ao longe lembrei-me de bolos com cobertura branca. Picos de açúcar cristalino na paisagem agreste. Guardei a vontade para mais tarde e agora, finalmente, estes bolos macios, de azeite e baunilha. Montes de massa doce, acetinada e aromática, cobertos pela brancura doce e ácida do iogurte com limão.
No meu Norte pode até não haver montes silenciosos no horizonte, nem neve branca e brilhante a beijar o azul do céu mas vai haver sempre um bolo macio para satisfazer a vontade :)


In English
In my North there´s an imense shore, with a sea that spreads in an eternal and ondulant blue. In my North there´s small fields, remnants of  nature that stayed indifferent to the advances of urban life. There are constant rumbles in the passing hours and days.
But in this North of mine there are no silent hills in the infinite of the horizont, nor white, sparkling snow, between them and the blue of the sky, like the ones I saw in Montalegre. Seeing them in the distance reminded me of cakes with white frosting. Chrystalline sugar spikes in the harsh landscape. 
I kept the will for later and now, finally, these soft cakes, made with olive oil and vanilla. Hills made of sweet batter, silky and aromatic, covered by the whiteness of sweet and sour yogurt with lemon.
My North might not have silent hills in the horizont, nor white, sparkling snow kissing the blue in the sky, but in it there will always be a soft cake to satisfy a craving :)























Ingredientes:
150 ml azeite
150 ml de crème fraiche
6 ovos
300 g de açúcar
250 g de farinha
50 g de maizena
1 colher de chá de fermento em pó
2 colheres de chá de extrato ou aroma de baunilha
1 pitada de sal
Cobertura:
2 iogurtes naturais açucarados
Sumo e raspa de 1 limão
Frutos vermelhos

Preparação:
*Pré aqueça o forno a 180º, marca 4 do fogão a gás.
*Unte 4 formas de buraco pequenas (12,5 cm de diâmetro) com manteiga e polvilhe com farinha, reserve.
*Bata o azeite com o crème fraiche, a baunilha, o açúcar e os ovos por cerca de 3 minutos.
*Junte as farinhas, o sal e o fermento peneirados e mexa bem.
*Verta a massa nas formas e leve ao forno por 20 minutos aprox. Espete um palito, se sair seco os bolos estão prontos. Deixe arrefecer um pouco, desenforme e deixe que arrefeçam totalmente.
*Para a cobertura misture o sumo e a raspa de limão com os iogurtes e verta sobre os bolos.
*Decore com frutos vermelhos.





Ingredients:
150 ml olive oil
150 ml crème fraiche
6 eggs
300 g caster sugar
250 cake flour
50 g corn starch
1 tsp baking powder
2 tsp vanilla extract
Pinch of salt
Topping:
2 sugary plain yogurts
Juice and zest of a lemon
Berries to serve


Preparation:
*Preheat the oven to 180º, 350f, gas mark 4.
*Butter and flour 4 small hole cake tins (5 inches diameter), keep for later.
*Beat the sugar with the olive oil, vanilla, crème fraiche and eggs for 3 minutes.
*Add the sifted flours, salt and baking powder.
*Pour the batter into the prepared tins and bake for 20 minutes aprox. Insert a wooden stick in each cake , if it comes out clean then they are ready. Let the cakes cool a bit, unmold and let them come to room temperature.
*For the topping mix the yogurts with the juice and zest of the lemon, pour over the cakes and top with lots of berries.




Print Friendly and PDF
UA-16306440-1