Sexta-feira

BOLACHAS DE NATAL A 4 MÃOS!


A vida por vezes é mesmo surpreendente!
Ontem recebi um telefonema do qual não estava nada á espera.
Depois de muitos anos sem notícias da Sara, uma velha amiga que se tinha mudado para Londres, para acabar os estudos e que acabou por lá ficar, ontem ouvi a sua voz novamente. Fiquei um pouco confusa no início, não a reconheci, mas a seguir á surpresa veio a alegria. Ela estava cá em Gaia e ía ficar até ao Natal.
Perguntei-lhe como sabia o meu nº de telm. e só depois me lembrei que temos familiares próximos a viverem perto uns dos outros, foi só perguntar e cá estávamos nós de novo em contacto.
Quando a Sara se mudou ainda nos escrevemos algumas vezes, mas entretanto ela foi 6 m. para os E.U.A., eu mudei de casa, os meus filhos nasceram, a vida tornou-se cada vez mais exigente e o tempo e a distância foram impondo o caminho a seguir. Não havia uma presença viva e constante, mas as memórias e o sentimento de amizade mantiveram-se.
O nosso encontro depois de tanto tempo, foi em minha casa, pois esta semana, tenho estado um pouco "aprisionada", sabem como é , com obras em casa, não se pode abandonar o "campo de batalha".
Estar com a Sara de novo foi uma lufada de ar fresco. E ver que depois de tantos anos, tinha á minha frente a mesma amiga que conhecia, com uma bagagem maior e uma perspectiva diferente da vida, é certo, mas na essência a mesma amiga. Positiva, construtiva, e uma das raríssimas pessoas ( sem contar com a minha família) que eu sempre senti vibrar sinceramente com os meus sucessos e feitos, sem a inveja, competição e mesquinhez tão comum na maioria das pessoas que por aí vamos encontrando.
Conclusão, ela achou muita graça ao facto de eu ter um blogue de comida e fartámo-nos de brincar e rir á custa disso.
Recordámos as nossas incursões nas cozinhas das nossas mães, para experimentar receitas alternativas, como a omelete de marmelada que o namorado de uma prima minha fazia. Tínhamos também as tardes das panquecas, com outras amigas, que muitas vezes acabavam com as ditas pelo ar, ou na cara umas das outras. Enfim! Bons tempos!
E perguntam vocês, onde é que entram as bolachas de Natal no meio disto tudo. A verdade é que acabámos, as duas na cozinha a fazê-las. Como conseguimos levar a tarefa a bom porto não sei!Com tanta conversa e brincadeira foi uma sorte as bolachas não se terem queimado. Acho que a alegria e boa disposição, com que foram feitas, garantiram o sucesso!
No fundo ontem tive um dia, ou melhor, uma tarde em que senti o verdadeiro espírito natalício. O espírito da alegria, da fraternidade e da amizade verdadeira, aquela que sobrevive até ao passar do tempo.
E um grande bem haja para todas as pessoas de bem, que eu sei que ainda existem por aí, que merecem o nome de Amigo(a) verdadeiro(a).
Bom fim de semana!


Ingredientes:
2, 1/2 chávena de farinha
1/4 de chávena de cacau em pó
1/2 colher de chá de fermento em pó
1/2 colher de chá de sal fino
1/4 de colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá de canela em pó
80 gr. de chocolate preto partido em pedaços
220 gr. de manteiga amolecida
1, 1/3 de chávena de açúcar
1 ovo grande
1/2 colher de chá de extracto de baunilha ou 2 gotas de aroma
Cacau em pó para polvilhar

Para o glacê real:
220 gr. de açúcar em pó
1 clara de ovo grande
Umas gotas de sumo de limão

Preparação:
Peneire os primeiros 5 ingredientes para uma taça.
Bata a manteiga até ficar em creme e depois junte o açúcar, continue a bater até obter uma mistura esbranquiçada.
Junte o ovo e ligue tudo muito bem.
Derreta o chocolate em banho maria.
Junte o chocolate derretido e a baunilha á mistura de manteiga e açúcar.
Junte a mistura de farinha e ligue muito bem até obter uma massa.
Faça uma bola com a massa e divida em 2 partes.
Forme 2 discos, embrulhe em película aderente e leve ao frio por 20 a 30 minutos.
Pré-aqueça o forno a 180º, marca 4 do fogão a gás.
Tire a massa do frio e estenda-a numa superfície polvilhada com cacau em pó.
Deixe a massa com mais ou menos 3 mm. de espessura.
Corte bolachas com cortadores alusivos ao Natal.
Forre um tabuleiro com uma folha de papel de alumínio e por cima ponha uma folha de papel vegetal.
Ponha as bolachas no tabuleiro e leve ao forno por 7 a 8 minutos.
Elas vão estar moles ao sair do forno mas é mesmo assim, elas depois endurecem.
Repitas estas operações até acabar a massa, ou então use só metade e congele a restante massa para fazer bolachas noutra altura.
É só descongelar no frigorífico.
Para fazer o glacê, bata ligeiramente a clara e junte o açúcar em pó, bata até ficar com uma mistura homogénea e brilhante, no fim junte umas gotas de sumo de limão e está pronto a usar.
Depois das bolachas estarem frias, ponha o glacê num saco de pasteleiro com um bico fino e decore como quiser.
Eu não tenho um bico muito fino, por isso tive que improvisar, mas acho que dei conta do recado.

*Receita de Dorie Greenspan

Quarta-feira

PIMENTOS RECHEADOS COM PEPERONATA DE COURGETTES




Parecem caixinhas surpresa!
Estes pimentos recheados são, saudáveis, bonitos e uma forma deliciosa de servir vegetais. É impossível não gostar!

Ingredientes:
4 pimentos da cor que quiser
2 colheres de sopa de azeite, mais um pouco para untar
Sal e pimenta a gosto
Para a peperonata:
4 colheres de sopa de azeite
1 cebola média picada
1/2 colher de chá de malaguetas secas, esmagadas
2 dentes de alho esmagados
2 courgettes grandes
4 tomates pequenos, cortados ao meio
1 colher de sopa de oregãos frescos, picados
2 colheres de sopa de vinagre de vinho tinto
1 colher de sopa de alcaparras, lavadas e escorridas
1 colher de sopa de azeitonas pretas sem caroço e picadas
Preparação:
Pré-aqueça o forno a 200º, marca 6 do fogão a gás.
Corte a parte de cima dos pimentos e reserve.
Tire as sementes aos pimentos.
Pincele o interior dos mesmos com um pouco de azeite e tempere com um pouco de sal e pimenta.
Ponha os pimentos, na vertical, num tabuleiro untado com azeite e leve ao forno, com as tampas postas, por 12 a 15 minutos, até os pimentos ficarem macios.
Para fazer a peperonata, aqueça o azeite numa sertã, junte a cebola e frite por alguns minutos, até amolecer.
Junte o alho e as malaguetas e cozinhe por 2 minutos.
Junte as courgettes previamente lavadas e sem as descascar, corte-as em rodelas e cada rodela em 4 partes, salteie durante uns minutos em lume brando.
Junte os tomates e cozinhe lentamente, tapado por 8 a 10 minutos, até começar a formar-se molho á volta das courgettes.
Destape o tacho e junte metade dos oregãos.
Mexa bem e depois junte o vinagre, as alcaparras e as azeitonas, mexa de novo e rectifique os temperos.
Recheie os pimentos com esta mistura e leve-os de novo ao forno por 15 minutos.
Retire do forno, polvilhe os pimentos com os restantes oregãos e ponha as devidas tampas.
Sirva acompanhado de arroz branco.
Se preferir, pode fazer primeiro a peperonata e só depois assar os pimentos, recheá-los de seguida e levá-los novamente ao forno.

*Do livro "Cozinha vegetariana" de Paul Gayler.




Segunda-feira

ARROZ DE PATO Á MODA DE BRAGA


"Soube-me a pato". Esta é a expressão, que me vem logo á cabeça, quando como um bom arroz de pato á moda de Braga. É mais um dos meus pratos portugueses preferidos. Este arroz, enriquecido com os enchidos e a gordura e sabor do pato, é um prato substancial e muito saboroso.




Ingredientes:(6 pessoas)
1 pato
500 gr. de arroz
250 gr. de presunto
1 chouriço de carne
1/2 orelha de porco
1 colher de sopa de manteiga
1 ramo de salsa
1 limão
1 cravinho
Sal e pimenta
2 laranjas cortadas em gomos ou em rodelas


Preparação:

Hoje em dia, já se compram orelha de porco e pato limpos e prontos a cozinhar, sendo assim, ponha os dois, numa panela grande com o presunto, o chouriço, o cravinho e a salsa, cubra com bastante água, tempere com sal e pimenta e coza.

Retire a espuma que se forma no início da cozedura.

Quando as carnes estiverem bem cozidas, mas sem se desmanchar o pato, retiram-se da água onde cozeram, reservam-se e guarda-se o caldo.

Com uma colher tira-se a gordura que se acumula á superfície do mesmo e coa-se o caldo, ( pode guardar a gordura do pato, para usar em assados ).

Pré-aqueça o forno a 200º, marca 6 do fogão a gás.

Mede-se o arroz. Num tacho pôem-se caldo ( 2 vezes o volume do arroz ), leva-se ao lume e assim que levantar fervura, junta-se o arroz e o sumo do limão e ajustam-se os temperos.

Deixa-se abrir um pouco o arroz.

Muda-se para um alguidar de barro achatado, ( eu usei uma assadeira de barro ) e leva-se ao forno.

Quando o caldo tiver desaparecido, enterra-se no arroz, o pato cozido e inteiro e préviamente barrado com manteiga, leva-se novamente ao forno a acabar de cozer o arroz e a alourar a pele do pato.

Para servir, trinche o pato, retirando-lhe os ossos e cortando a carne em fatias.

Cortam-se também as restantes carnes, em pedaços e o chouriço em rodelas. Ponha as carnes por cima do arroz e decore com as rodelas de chouriço.

Sirva bem quente com os gomos ou rodelas de laranja, servidos á parte, para cortar a gordura do pato.
*Receita do livro, "Cozinha tradicional portuguesa"

Sexta-feira

UM VULCÃOZINHO DE CHOCOLATE


Um vulcãozinho de chocolate quente, prestes a entrar em doce erupção!
Uma delícia que saboreio lentamente, ao calor da salamandra, enroscada no meu canto preferido do sofá.
É a antecipação perfeita, de um fim de semana, que se adivinha também perfeito!

Bom fim de semana!



Ingredientes:
100 gr. de manteiga
100 gr. de chocolate preto de boa qualidade
2 ovos
2 gemas
1/4 de chávena de açúcar
1 colher de sopa de farinha
Cacau para polvilhar
Manteiga para untar


Preparação:

Pré-aqueça o forno a 200º, marca 6 do fogão a gás.

Unte 5 ramequins com manteiga e polvilhe-os com cacau em pó.

Derreta a manteiga em lume muito brando, tire do lume e junte o chocolate partido em pedaços, para derreter também.

Bata os ovos, as gemas e o açúcar até ficar com uma mistura fofa com o triplo do volume inicial.

Junte a mistura de chocolate á mistura de ovos, ligue tudo muito bem mas lentamente, junte a farinha e volte a ligar tudo.


Verta o creme de chocolate nos ramequins e coloque-os em cima de um tabuleiro de forno. Leve a cozer 8 a 10 m. Assim que os tirar do forno, passe imediatamente, uma faca pela borda de cada um e vire-os sobre um prato com cuidado para não se queimar, espere 1 minuto e só depois tire o ramequim.

Sirva estas pequenas delícias com gelado ou com chantilly.
*Receita adaptada de Jean-Georges Vongerichten
*Revista Gourmet






,

Quinta-feira

CUSTARD DE RUIBARBO


A chegada inesperada de um molho de ruibarbo, á minha cozinha, fez-me, percorrer as páginas de vários livros de receitas. É que ao invés de marcar as receitas que quero experimentar, por exemplo com um pedaço de papel, para serem depois, mais fáceis de encontrar, eu tenho o hábito de assinalá-las com um lápis e quando acho que valeu a pena experimentar, volto á mesma receita para por um comentário, do género, "vale a pena" ou "é muito bom". É como deixar um rasto através do tempo, uma pequena herança culinária!...
No livro "How to eat" da Nigella, estava assinalada a receita deste custard. É uma sobremesa suave, não muito doce e com uma textura que eu adorei. Pode ser acompanhada com custard normal ( o que, para nós portugueses talvez seja um pouco estranho) ou com natas batidas com açúcar. Eu servi simples sem qualquer acompanhamento.

Ingredientes:
100 gr. de açúcar
1 kg. de ruibarbo
100 ml. de água
4 ovos
4 gemas
100 gr. de açúcar baunilhado, (para fazê-lo, ponha num frasco, açúcar com uma vagem de baunilha dentro )
600 ml. de leite gordo

Preparação:

Lave o ruibarbo e corte-o em pedaços regulares. Ponha o ruibarbo num tacho com a água e 100 gr. de açúcar. Leve ao lume e quando ferver tape o tacho e cozinhe por mais ou menos 5 minutos, por esta altura o ruibarbo deve estar desfeito.

Ponha a escorrer mas não esprema.

Pré-aqueça o forno a 160º, marca 3 do fogão a gás.

Ponha um recipiente com água ao lume a aquecer.

Bata os ovos, as gemas e o açúcar baunilhado, até ficarem em creme. Aqueça o leite mas sem deixar ferver e junte-o aos poucos á mistura de ovos, junte por fim a polpa do ruibarbo ( o líquido pode ser aproveitado para fazer sorvete ) envolvendo bem a polpa na mistura de leite e ovos, deve ficar com um creme pálido com um pouco de rosa aqui e ali. Ponha o creme numa forma de cerâmica e ponha a forma dentro de um tabuleiro, ponha a água bem quente dentro do tabuleiro, ou seja á volta da forma com o custard e leve ao forno por 1 hora.

Tire do forno, deixe arrefecer e sirva simples ou acompanhado de natas com açúcar ou custard tradicional.

CHILIS E RUIBARBO!



No passado domingo recebi um"cabaz" de Natal antecipado.
O meu pai, que regressou de Lamego, após uma estadia de quase 2 meses, Chegou no Domingo a minha casa, com sacos e sacos de coisas boas ! Entre essas coisas, estavam como não podia deixar de ser, produtos típicos do Outono, como maçãs, Golden, Reineta e Bravo de Esmolfe; castanhas, romãs, míscaros-amarelos ou tortulhos. Estavam também, pimentos de várias cores e courgettes amarelas, só vos posso dizer, que a minha pequena cozinha, ficou de repente apinhada e coberta de cor! Mas o que mais me agradou e surpreendeu, foi encontrar no meio de todas essas coisas, um molho de ruibarbo ( em pleno Outono!) e um saco com 3 espécies diferentes de chilis, 2 das quais eu nunca tinha visto ao vivo e a cores!
Fiquei literalmente, em estado de graça!


Tortulhos, míscaros-amarelos ou canários. Estes foram comprados numa mercearia em Lamego.
Fritei-os num pouco de azeite e alho, é de comer a rezar!



Ruibarbo!
Com este molho de ruibarbo, fiz um creme ou custard de ruibarbo. Pensei que ia ter que esperar pela primavera, para experimentar esta receita da Nigella mas afinal não foi assim!
A receita vem a seguir.


Chili ají ou pimento campainha ( variedade tradicional espanhola, denominado, pimiento campanilla).


Chili scotch bonnet, é aparentado com o chili habanero.

Sexta-feira

OS LIVROS QUE MAIS ME MARCARAM!

Já falei aqui, de vários livros de cozinha que são especiais para mim, mas curiosamente os mais especiais de todos, aqueles que me acompanham á mais tempo e com os quais cresci e aprendi a viver numa cozinha, nunca os divulguei. São para mim tão pessoais, tão acima de modas ou tendências gastronómicas, tão únicos, que sempre tiveram um lugar especial, á parte de todos os outros. O desafio da Luciana, é a deixa perfeita para vos falar desses "amigos íntimos" que me acompanham á anos.
A Luciana desafiou-me a publicar os 3 livros de cozinha que mais gostei e que mais me marcaram e eu, tal como ela própria, acho que escolher só 3 é muito pouco. Existem inúmeros livros de cozinha dos quais gosto e alguns já vos mostrei aqui no blogue. Mas uma coisa, é gostar, outra bem diferente, é marcar e para vos dizer a verdade, livros assim, na minha vida há somente, 2!


O primeiro, é o livro "Doze meses de cozinha". Foi com este livro que eu descobri, alguns dos clássicos da cozinha portuguesa e também da cozinha mundial e técnicas muito úteis. Foi o meu primeiro grande companheiro na cozinha, tanto é assim que já tem folhas soltas.



O segundo é o "Cozinha tradicional portuguesa", que para mim é a quinta essência da nossa cozinha e o mais bem amado de todos os meus livros. É o rei absoluto!
Depois destes, muitos mais vieram mas estes são e vão ser sempre, a minha primeira referência na cozinha.






BOLO FLORESTA NEGRA

Este clássico de chocolate e cerejas é originário da Alemanha, mas também pode ser encontrado na Áustria e na Suíça. Diz-se que a combinação de cerejas cozinhadas, kirsch ( brandy de cerejas ) e natas, servidas como sobremesa, foi o início do que viria mais tarde a tornar-se no bolo "Floresta negra", com a junção de camadas de bolo de chocolate.
A minha versão deste bolo é simplificada, não tem cerejas entre as camadas de massa, porque nesta altura do ano, como sabem não há cerejas frescas, assim usei cerejas em calda somente para a decoração. Esta receita pede cerejas frescas que depois são cozinhadas em água e um pouco de sumo de limão. Em baixo eu descrevo a preparação das cerejas frescas.
Bom fim de semana e fiquem bem!


Ingredientes:
200 gr. de chocolate preto de boa qualidade
300 gr. de manteiga mole
300 gr. de açúcar
8 ovos
100 gr. de farinha
100 gr. de maizena
100 gr. de pão ralado
100 gr de amêndoa moída
2 colheres de chá de fermento em pó

Para o recheio:
Kirsch para salpicar as camadas de bolo
4 folhas de gelatina incolor
4 dl de natas frescas ( não pasteurizadas), muito frias
2 colheres de sopa de açúcar
500 gr. de cerejas frescas ou cerejas em calda
2 colheres de sopa de sumo de limão
1,25 dl. de água

Preparação:
Pré-aqueça o forno a 180º, marca 4 do fogão a gás.

Derreta o chocolate em banho maria.
Numa taça bata a manteiga com o açúcar até ficar em creme.
Noutra taça junte as farinhas, o pão ralado, a amêndoa moída, o fermento e misture tudo. Junte esta mistura ao creme de manteiga, a seguir junte o chocolate derretido e arrefecido e as gemas, ligue tudo muito bem ( vai ficar com uma massa bastante dura).

Bata as claras em castelo com uma pitada de sal. Tire um terço das claras e misture-as ao preparado anterior sem grandes cuidados, só para tornar a mistura mais leve.

Junte agora as restantes claras com cuidado, mexendo de cima para baixo.

Ponha a massa numa forma sem buraco, untada e enfarinhada. Leve ao forno por + ou - 1 hora. Faça o teste do palito.
Depois de desenformar o bolo, deixe-o assim por 3 horas e então depois corte-o em 3 camadas e salpique-as com o kirsch. Ponha a gelatina de molho num pouco de água. Quanto ás cerejas , tire-lhes o caroço e leve-as ao lume com o sumo de limão e a água, até ficarem macias.

Bata as natas com o açúcar. Derreta a gelatina em lume brando, ( sem a água em que demolhou) e junte-a ás natas. Recheie as camadas do bolo com as natas misturadas com as cerejas, eu só usei as natas. Ponha uma camada de bolo em cima da outra e cubra o bolo com a mistura de natas e gelatina. Decore com cerejas ( eu usei cerejas em calda) e raspas de chocolate. Tradicionalmente este bolo tem três camadas mas eu fiz um pouco de batota e cortei-o apenas em duas.










Quinta-feira

CANTARELOS SALTEADOS

Com os cantarelos que apanhei no passado Domingo, decidi fazer esta receita, que é muito simples mas é também um excelente petisco.
A receita abaixo indicada é para 100 gr. de cogumelos, ( o que é muito pouco, até porque os cogumelos encolhem ao cozinhar, enfim deu para a cova de um dente!).
Apesar de os cantarelos terem um sabor muito característico, podem sempre fazê-la com outro tipo de cogumelos.

Ingredientes:
100 gr. de cantarelos
1 colher de sopa de manteiga
1 fiozinho de azeite
1 dente de alho, cortado ao meio,
2 colheres de sopa de vinho do Porto
Sal e pimenta
Um pouco de salsa picada

Preparação:
Limpe os cogumelos com papel de cozinha ou um pincel e corte-os ao meio.
Numa sertã ponha a manteiga, o alho e um fiozinho de azeite, só para impedir que a manteiga queime. Quando estiver derretida, junte os cogumelos e salteie-os até amolecerem, o que demora 1 ou 2 minutos. Junte o vinho do Porto e cozinhe mexendo até evaporar. Tempere com sal e pimenta, mexa e está pronto. Polvilhe com salsa picada e sirva, como entrada ou como petisco. É muito rápido de fazer e fica muito bom!

Terça-feira

CANTARELOS!


No Domingo passado, finalmente fui para o meio do mato "caçar". Se calhar devia antes dizer "apanhar" mas a verdade é que encontrar bons cogumelos comestíveis é quase como ir á caça, é um exercício de paciência, de silêncio,( como se eles pudessem fugir, por ouvirem alguém a aproximar-se!).
Dei comigo metida no meio de tojos, de gatas no chão e coberta de musgo, areia e teias de aranha, por falar em teias de aranha, reparei hoje de manha que tenho uma teia de aranha enorme com o respectivo aranhão, na parte de trás do jipe. Ganhei um troféu, por andar no mato e só hoje é que o descobri!
Quanto aos cogumelos, consegui apanhar ou "caçar", como quiserem, uns bons cantarelos. Boletos, também vi alguns mas já estavam comidos pelas lesmas, aliás apanhei uma mesmo em flagrante, empoleirada num boleto, a comer toda contente, tive pena de não levar a máquina fotográfica, tinha dado uma foto bastante engraçada!
Quanto aos cantarelos aqui fica a foto, para a posteridade. A receita fica para mais tarde.


Eles nascem em cada sítio!

Segunda-feira

INTERCÂMBIO - CULINÁRIO, MOQUECA DE PEIXE





Tudo começou com um email da Ameixa a perguntar se eu queria participar no Intercâmbio Culinário. Como acho esta iniciativa bastante interessante e engraçada, decidi aceitar o desafio. O passo seguinte, foi encontrar uma parceira brasileira, que também quisesse participar. A Ameixa falou-me de uma menina que também andava á procura de alguém, com quem fazer o intercâmbio, tratava-se da simpática Luciana do Rosmarino e prezzemolo, que eu na altura ainda não conhecia. Enviei uma mensagem a convidá-la a participar comigo. Ela aceitou e hoje aqui estamos, na blogosfera, ela em directo do Brasil e eu em directo de Portugal.
Das várias receitas que a Luciana me enviou, eu escolhi a Moqueca de peixe, porque é um prato bonito e colorido e porque é uma delícia.
Além das receitas trocámos também informação histórica sobre as receitas. Graças á Luciana fiquei a saber um pouco mais sobre a origem da Moqueca; aqui vai.
A moqueca é um cozido de peixe e/ou camarão com cebola, pimento e tomate, temperado com azeite de dendê e leite de coco. É um prato de origem indígena e originalmente era feito numa grelha de varas ou apenas folhas de árvores cobertas por cinzas quentes ( ao que davam o nome de moquem, daí vem o nome moqueca).
A primeira menção da moqueca num documento histórico, foi numa carta do padre português, Luís de Grã, datada de 1554, onde ele escreve que "Quando os índios se dispunham a comer carne humana, assavam-na na labareda", isto é, no moquem. Em 1584, outro padre, Fernão de Cardim, comenta que eram moqueados, peixes, batata, mangará, entre outros alimentos.
A moqueca actual não é assada mas sim refogada.
Agora vamos á minha moqueca!
Esta receita típica brasileira, é muito simples e no entanto é plena de sabor. Pelas receitas que vi, há várias formas de cozinhar a moqueca, não há uma receita igual á outra, por isso, espero que gostem desta.
Eu servi-a numa travessa de barro preto, para compensar o não a ter cozinhado numa típica panela de barro preto. Na mesa pus uma toalha com motivos do Minho, Para simbolizar o Intercâmbio, assim temos uma receita típica brasileira, servida numa mesa típica portuguesa!

Para terminar, queria agradecer á Luciana, a simpatia, disponibilidade e atenção que me dispensou. Tenho que agradecer também á Ameixa o convite, pois apesar de já ter pensado em participar em vários desafios, nunca o fiz, por comodismo e se não fosse este "empurrão" da Ameixa, provavelmente eu não teria tido esta experiência.
Obrigada ás duas!







Ingredientes: 4 pessoas
4 postas de peixe (Dourada,namorado ou cavala), eu usei dourada
1 colher (sopa) de sumo de limão
Sal e pimenta a gosto
2 colheres (sopa) de azeite
4 colheres (sopa) de azeite de dendê
1 cebola cortada em rodelas
2 pimentos (1 vermelho e 1 verde) cortados em tiras
2 tomates maduros cortados em pedaços
1/2 chávena(chá) de leite de coco
3 colheres (sopa) de folhas de coentro picadas
Coentros para decorar

Preparação:

Ponha as postas numa tigela, tempere com o sumo de limão, sal e pimenta a gosto e deixe descansar por 30 minutos.

Numa panela, ponha camadas de cebola, tomate e pimento e por fim o peixe. Faça isto até acabarem os ingredientes. Tempere com sal e pimenta a gosto regue com o azeite e o azeite de dendê. Leve ao lume e quando ferver ponha no mínimo, cozinhe com o tacho tapado por 20 minutos. Junte o leite de coco e os coentros picados, cozinhe por mais 10 minutos e está pronto a servir.

Eu servi esta moqueca com arroz branco, tradicionalmente é acompanhada também de farofa.

Sexta-feira

BOLACHAS COM PEDAÇOS DE CHOCOLATE, AVEIA E NOZES


Este ano, ao contrário dos anos anteriores, só agora começo a interiorizar que o Natal está praticamente á porta. Digo isto, porque normalmente, em finais de Setembro ou início de Outubro, eu já começava a entrar no espírito da festa. Este ano, "o espírito" chegou com um mês de atraso! Bom, mas o que interessa é que chegou e chegou para ficar.
Uma coisa curiosa que me acontece nesta altura do ano, é o ser assaltada por um surto repentino de uma coisa a que os povos de língua inglesa chamam de "nesting" e que em português, significa algo como, fazer o ninho. Curiosamente, o chamado"nesting", aplica-se ás mulheres grávidas e àquela fase da gravidez, em que a mulher sente necessidade de preparar a casa para a chegada do bébé. Só que eu, NÃO estou grávida! No entanto, só me apetece tornar o "ninho" mais confortável, aconchegante, rodear-me de tudo o que preciso, não para receber um novo rebento em casa, mas sim para a chegada do Pai Natal!... Ok, eu sei que ele não existe, mas deixem-me ao menos sonhar!
A minha fase de "nesting" já começou á alguns dias, acendo a salamandra ao início da noite, todos os dias sem falta, já comprei mais umas bolas vermelhas para o pinheiro de natal, imagino como ficará aconchegante o sofá, com as 2 novas almofadas de Arraiolos, bordadas pela minha avó ( que tem 80 anos e ainda faz estas coisas!) e que vão ser a minha prenda de natal. Enfim, uma série de "niquices", que me dão um gosto imenso.
Falta falar de algo muito importante para o aconchego total de um lar ou neste caso de um ninho, a comida! E era precisamente aí que eu queria chegar. Que melhor altura do que o natal, para encher o ninho de coisas boas, para cozinhar e para comer? É por isso que eu adoro o natal, não há festa mais completa, vejam bem; tem a família reunida á volta da mesa, tem o frio lá fora, que nos faz sentir tão bem, dentro de casa; tem a alegria das brincadeiras que se fazem para alimentar a crença dos miúdos no pai natal,( como se eles se deixassem enganar!) e tem o bacalhau, o polvo, as rabanadas, os sonhos, os bolinhos de bolina, o bolo rei e tantas coisas boas, como por exemplo estas bolachas que vos trago hoje. São ideais para qualquer altura do ano, mas já que estamos perto do natal, experimentem tê-las por perto, quando tiverem a casa cheia, ou então façam bastantes e ofereçam em saquinhos bonitos amarrados com fitas.
Imaginem agora o dia de natal, o almoço de natal terminou, depois de horas á mesa as pessoas levantam-se, uns vão fumar um cigarro outros vão para o sofá, outros como eu, vão organizar a cozinha com o séquito feminino atrás. Jogam-se jogos para todos os gostos, o tempo passa, volta-se á mesa para o farrapo velho e a canja de galinha e quando já é bem entrada a noite e já se digeriu o festim, sente-se no ar o cheiro de chocolate quente a sair da cozinha e com o chocolate quente, vêm estas bolachas para mimar e espevitar a família, que por esta altura já está num estado de dormência próprio destes dias de festa e comezaina.
Os adultos que não comem, por não aguentarem mais, levam as bolachas para casa e comem-nas durante a semana festiva mas as crianças e os gulosos assumidos, deliram e mergulham de cabeça tanto no chocolate quente como no prato das bolachas. Acreditem que dá gosto ver, é o fim perfeito para a festa perfeita !




Ingredientes:
2, 1/2 chávenas de flocos de aveia
2 chávenas de farinha sem fermento
1/2 colher de chá de sal fino
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de soda
220 gr. de chocolate preto cortado em pedacinhos pequenos, pode usar pepitas de chocolate
1 colher de chá de extracto de baunilha ou 2 gotas de aroma de baunilha
200 gr. de manteiga amolecida
1 chávena de açúcar branco
1 chávena de açúcar amarelo
2 ovos
1/2 chávena de nozes picadas grosseiramente ( opcional )
Preparação:

Pré-aqueça o forno a 180º, marca 4 do fogão a gás.

Num processador, ponha os flocos de aveia e reduza-os a farinha.

Numa taça grande ponha a aveia desfeita, a farinha, o fermento, o bicarbonato e o sal.

Noutra taça ponha os açúcares e a manteiga e bata até ficar com uma mistura leve e cremosa, junte os ovos e a baunilha e bata novamente. Junte a mistura de farinha e ligue tudo muito bem. Junte o chocolate e as nozes e ligue.

Forre um tabuleiro com papel vegetal e por cima ponha uma folha de papel de alumínio ( isto é para impedir que as bolachas queimem por baixo). Molde a massa em bolas do tamanho de bolas de golfe e ponha-as no tabuleiro, com bastante espaço entre elas. Eu ponho 3 filas de 3 bolachas de cada vez, esta quantidade de massa dá para 3 ou 4 fornadas. Eu tiro a fornada para fora, tiro as bolachas do tabuleiro com cuidado, pois ainda estão moles e depois deixo o tabuleiro arrefecer uns minutos. Volto a por mais 9 bolas de massa e ponho no forno novamente, faço isto até acabar a massa. É nestas alturas, que penso no jeito que dá ter 2 fornos!

As bolachas devem cozer até ficarem douradas, não se preocupe se estão moles, elas endurecem ao arrefecer.
Quando as bolachas estiverem frias, guarde-as numa caixa com fecho hermético, para que não amoleçam.

Terça-feira

DE VOLTA Á COZINHA TRADICIONAL PORTUGUESA COM ROJÕES Á MODA DO MINHO.


Domingo passado, foi dia de rojoada cá em casa. Os dias já estão bem frios e já começa a apetecer os bons e substanciais pratos portugueses e uns bons rojões, apetitosos e a fumegar, estão no top 10 das minhas preferências.
Eu faço os rojões um pouco como a minha mãe faz, afinal foi com ela que eu aprendi.
A receita tradicional pede batatinhas alouradas, mas eu sirvo os rojões com batatas fritas cortadas em cubos. Gosto também de fritar algumas castanhas e misturá-las com os restantes ingredientes. As castanhas, antigamente, muito antigamente, faziam o papel que hoje fazem as batatas, não se esqueçam de que a batata é nativa do continente americano, não é um produto original da Europa, enquanto as Américas não foram descobertas, não havia batatas para ninguém, havia isso sim, castanhas!
No Gerês e acredito que noutras partes do norte do país também, fazem-se umas "broas" ( parecem broas de Avintes em miniatura ) de farinha de centeio e sangue de porco, que depois são cortadas ás fatias, fritas e servidas com os rojões. Lá em cima em Terras de Bouro, estas "broas" são vendidas nos talhos, mas eu já tive o privilégio de prová-las, acabadas de fazer, numa aldeia a 700 mts. de altitude em pleno Gerês e fritas em banha feita em casa. Foi quase como provar a essência do nosso povo do norte.


Ingredientes: 4 pessoas
Carne de porco do lombo, cortada para rojões - 1 kg.
Sangue de porco cozido, a quantidade que se quiser
Tripas enfarinhadas, a quantidade que se quiser
Batatas - 3 batatas médias por pessoa, descascadas e cortadas em cubos
Castanhas - a quantidade que se quiser
Banha de porco - 3 colheres de sopa + um pouco se for preciso
2 folhas de louro
Sal e pimenta qb.
Cominhos
1/2 copo de vinho branco
1 colher de chá de colorau

Para a marinada:
Vinho branco - 2 copos
Alhos - 4 dentes picados
Sal e pimenta qb.
Folhas de louro - 3

Preparação:

Ponha a carne numa taça e cubra-a com os ingredientes da marinada, deixe assim de um dia para o outro. No dia seguinte, ponha a carne num tacho grande com a marinada e leve ao lume forte , deixe cozer até o líquido da marinada evaporar. Junte a banha e as folhas de louro, baixe o lume para o mínimo e deixe a carne cozinhar lentamente, com o tacho tapado, vigiando e mexendo para que não queime, prove, se achar necessário junte mais um pouco de sal e pimenta. Espete um garfo para ver se a carne já está tenra, quando estiver, regue com a mistura de vinho e colorau, mexa e pode retirar do lume e reservar.

Numa sertã, ponha alguma da gordura onde os rojões cozinharam, se for preciso acrescente mais um pouco de banha fresca. Leve ao lume e frite nela as tripas enfarinhadas cortadas em pedaços e o sangue cortado em fatias, até alourarem. Frite as batatas em óleo e reserve. Dê um golpe em cada castanha e frite-as em óleo bem quente, deixe arrefecer e tire-lhes a casca e a pele.

No tacho grande, misture a carne, as batatas, as castanhas, as tripas e um pouco do sangue. Sirva numa travessa, ponha as fatias de sangue á volta ( se quiser pode servir numa travessa á parte, pois há sempre quem não goste de sangue), polvilhe com cominhos e decore com salsa, pode servir com arroz branco ou de forma mais tradicional, com arroz de sarrabulho.

Bom apetite!