segunda-feira, 30 de março de 2009

Um fim de semana memorável!


Casa na aldeia do Talasnal.

Há já algum tempo que tínhamos planeado este fim de semana, em que a prioridade seria, ver o meu pai, divertirmo-nos em família e descobrir mais um pouco deste país, que é o meu e que eu adoro.
Ainda na manhã de Sábado, a primeira paragem obrigatória foi Lamego, linda terra onde o meu pai passa largas temporadas e onde é sempre agradável voltar.
Horas depois estávamos já a caminho da Lousã, para conhecer a serra, as aldeias serranas de xisto e tudo o mais que pudéssemos.
1ª meta posto de turismo, o que nos fez andar às voltas, pois fica no mesmo edifício do Museu Etnográfico e as indicações eram quase inexistentes. Mas lá fomos parar quase por acaso e quando de lá saí, já vinha carregada de folhetos com todo tipo de informação útil para quem quer conhecer o máximo que puder sobre a terra a visitar.
Sem perder tempo, "voámos" para a serra e só parámos na aldeia do Talasnal. Quando lá chegámos, só encontramos 3 visitantes que estavam logo no largo à entrada da aldeia. Chamou-me a atenção os muitos gatos que andavam pelas estreitíssimas ruas da aldeia deserta, aqui não existem cães, ou se existem combinaram encontrar-se todos noutro sítio qualquer! Digo eu!

Forno no Talasnal

Descemos a aldeia que é linda, toda em xisto, com a sensação de que estávamos a atravessar uma aldeia fantasma. Sempre a pé e seguindo um trilho pedestre, deixámos a aldeia para trás e caminhámos em direcção à Ermida da Nª Srª da Piedade, perto existe um bonita piscina fluvial e um castelo.
Voltámos a fazer o caminho de volta ao Talasnal, mas agora pelo monte oposto. Se para baixo todos os santos ajudam, já para cima só podemos contar com as pernas e a força de vontade. Por esta altura eu já só pensava no cabrito assado, na chanfana e no bacalhau com migas, que tínhamos visto na lista à porta de um restaurante perto da piscina fluvial lá em baixo.
Chegados de novo ao Talasnal, tive imensa pena de não poder visitar a lojinha de doces e artesanato da aldeia pois ainda estava fechada. Nesta aldeia foram criados por uma família os Talasnicos, uns doces que eu não tive a oportunidade de provar. Fica para a próxima!
Visitámos ainda a aldeia de Chiqueiro, bem pitoresca também e com habitantes bastante simpáticos tendo em conta a nossa "intromissão" na sua rotina de todos os dias.
A seguir andámos de carro pela serra que em certas zonas me fez lembrar muito o Gerês.
Ficou ainda muito por ver, como por exemplo a aldeia de Cerdeira com as suas plantações de ervas aromáticas e medicinais. Mas também assim, temos uma boa desculpa para lá voltar novamente.
Antes de continuar é melhor que saibam que nós somos de espírito um pouco nómada. Só conseguimos planear as coisas e cumpri-las até certo ponto e não parámos muito tempo no mesmo lugar. E foi precisamente esta forma de estar que nos fez seguir viagem, já ao fim da tarde em direcção a Seia para jantar e dormir. No dia seguinte partimos de novo rumo à Serra da Estrela.
Em Seia provámos um pouco da cozinha regional. Morcela e chouriço assados e azeitonas como entrada, borrego estufado como prato principal e eu comi à sobremesa, o famoso requeijão com doce de abóbora, sobremesa criada no restaurante Camelo, em Seia, há mais de 50 anos, pela proprietária de então e que hoje é uma referência da doçaria serrana, uma delícia!


Requeijão com doce de abóbora.

Já na Serra da Estrela, nas torres, o frio era de cortar, mas mesmo assim os meus filhos ainda se divertiram a andar de trenó. Tirei várias fotos à paisagem branca e aos miúdos e seguimos rumo ao Vale do Zêzere. E foi aqui que tivemos uma experiência muito engraçada com um pastor local.

Casa no Vale do Zêzere

O Vale do Zêzere é um daqueles sítios lindíssimos e verdejantes que pelo menos a mim me faz parar para ver tudo ao pormenor. Tudo é bonito, as casas cobertas com colmo, a água que corre por entre as pedras e musgo, as plantações de centeio e quando no meio disto tudo ainda se encontra uma figura pitoresca e simpática como o Sr. Zé Faísca, então o passeio ganha toda uma outra dimensão.

Vale do Zêzere

O rebanho do Sr. Gabriel ou Zé Faísca como é mais conhecido por aquelas bandas.

A certa altura do nosso passeio no Vale, parámos para fotografar um rebanho misto de cabras e ovelhas. Continuamos viagem e reparámos que o pastor que nos tinha acenado antes não parava de nos seguir com os olhos. Quando voltámos para trás, pois não se podia seguir em frente, o tal pastor perguntou-nos se queríamos comprar-lhe um queijo. A verdade é que nem sequer tínhamos pensado nisso mas o pastor disse-nos que vivia mesmo ali naquela casa de granito mais á frente e que podíamos ir ver os queijos e prová-los. Tocou no meu ponto fraco, eu não resisto a uma oportunidade de ver a vida rural na sua forma mais tradicional e então lá fomos todos a casa do Sr., ver e provar os queijos.
A casa era tipicamente serrana, com a lareira que também serve para cozinhar, no meio da mesma, encostada a uma parede. Casa muito humilde onde o pastor vive com a mulher, pois as filhas á muito que abalaram para outras paragens.

A lareira da casa do Sr. Zé Faísca
Ficámos a saber que se chama Gabriel.
Quando lhe perguntei se o podia fotografar, disse-me que podia fotografar tudo o que quisesse e de forma muito engraçada foi buscar um capote de pastor já gasto pelo tempo, um cajado e um balde de chapa onde é recolhido o leite do rebanho e vestiu o meu filho mais novo com a "farda " de pastor completa, pois a mão no seu ombro, fez pose e esperou que eu tirasse as fotografias que quisesse.


 
Sr. Zé Faísca 

Provámos o queijo feito com leite de ovelha e de cabra e mais uma vez eu e o meu marido olhámos um para o outro. Não eram precisas palavras, o sabor do queijo já nos tinha dito tudo, era uma maravilha. O Sr. Gabriel disse-nos que usava cardo para coagular o leite e que não usava "nada daquilo da farmácia" ou seja coagulante químico.
Contou-nos que comprava sacos de cardo que vinham do Alentejo. Mostrou-nos também onde ele e a mulher fazem os queijos e onde os guardam, assim como os cantos da sua pequena casa.
A certa altura depois de provar o queijo deu-nos a escolher o que quiséssemos. Acabámos por trazer 2 em vez de 1. Não havia dúvidas, o Sr. Gabriel sabia bem como vender os seus queijos e que belos queijos!


Conversamos ainda um pouco antes de irmos embora, e fiz questão de lhe dizer que quando lá voltarmos, vamos fazer-lhe uma visita.
Íamos já em direcção ao carro quando nos gritou que o nome dele era Gabriel mas que todos o tratavam por Zé Faísca. Registei o nome mentalmente já a pensar em escrever algo sobre este encontro enriquecedor com um simpático pastor do Vale do Zêzere. Despedimo-nos mais uma vez e partimos agora para Manteigas.
De Manteigas fomos ainda ás Penhas douradas, o ponto de Portugal onde faz mais frio. Aqui gostei da paisagem mas também das casas com telhados íngremes cobertos de metal para a neve escorrer mais facilmente, muito diferentes das restantes casas portuguesas.
Já em casa provamos calmamente o queijo do Sr. Zé Faísca com um pouco de vinho tinto e
volta e meia lá estavamos nós a dizer "Caramba o queijo é mesmo bom!"
Obrigada Sr. Zé Faísca pela humanidade, simpatia e por nos dar a conhecer um queijo delicioso!



















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7 comentários:

Debora koso disse...

E a 1vez que venho lhe visitar gostei muito e essa viagem que maravilha ficar um final de semana num lugar desses que queijo!!!!Esse senhor deve ter muitas historias ainda nao conheco seu pais mais e um sonho um dia sei que ieri passear,muito bom as informacoes,obrigada!

ameixa seca disse...

Queijo é o meu ponto fraco :) E se forem meios curados ou bem curados então é que eu gosto :) Que zona bonita mesmo!

Manuela © disse...

Isso é que foi um fim de semana interessante :)

Adoro queijos, não fosse eu açoriana :)

Rotiv disse...

Olá :)
O Blogue dos Manteigas passou por aqui ;)
Parabéns pelas fotos :)
Um abraço,
Visitem: http://bloteigas.blogspot.com/

Raul e Joel Carvalho disse...

Visualizei o seu blog e achei muito interessante... Parabens

Gostaria de lhe pedir se poderia colocar o link do meu blog no seu site: http://do-nariz-a-boca.blogspot.com/

Pode ser??

Quando colocar envie um mail para aqui: pirusas.carvalho@hotmail.com

Abraços

Anónimo disse...

Gostei muito deste "passeio" que nos deste oportunidade de fazer contigo. Na altura não comentei, mas meditei...E não podia deixar de te dizer, as saudades que me fez sentir, dos tempos em que os meus Filhos eram pequeninos e os tinha por perto!De certeza que para os teus Filhos essa foi uma bela experiência que eles não vão esquecer tão depressa."Uma lição de vida".Fez-me recordar uma situação muito semelhante que vivemos na zona de Mértola, nas sercanias do Pulo do Lobo.É lindo, o nosso Portugal Profundo. Bjs. Bombom

Yelita disse...

Parabéns pelo seu blogue! Sou uma "amante"! E as suas fotos ficam lindas=)
Talasnal é uma aldeia muito bonita... não foi há muito que estive lá e fiquei com a mesma impressão... Gatos há imensos e muito simpáticos! =) Mas cães também não vi... Mais à frente, há muitas mais aldeias (na serra da Lousã) Não sei se teve oportunidade de passar em Catarredor... também é uma aldeia muito bonita e que até tem um bar chamado fantasia! =) É mesmo muito giro :D Acho que até fazem almoços e jantares por encomenda!
Deixo o site do bar, caso queira dar uma espreitadela : http://www.fantasiabar.com/ e o meu blog a falar também de Catarredor: http://iaciara.blogspot.com/2010/02/lousa-catarredor-bar-fantasia.html
Um beijinho e uma boa continuação =)

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